domingo, 10 de novembro de 2013

Perseguição - Capítulo 3

CAPÍTULO 3
Marilah kita menjadi hakim dan algojo - SEJAMOS JUÍZES E EXECUTORES

                Joseph ainda estava irritado por causa do velório. Aquela cena trouxera lembranças ruins à sua mente. O pior foi ver as meninas sem esperança, sem paz, sem consolo. Mas não podia perder o foco, era sua vez de realizar um movimento. Não podia cometer erros, pois saberia que seria fatal.
                Almoçou na pensão conversando com Rocha. O piloto tornara-se um grande amigo e conselheiro para todas as horas. As palavras que recebera do amigo animaram-no para continuar a trabalhar naquele dia.
                Ele caminhou até a central onde deveria trabalhar. Ao entrar, o comandante o esperava:
                -Onde você estava? Temos um caso para resolver e você está passeando por aí?
                Joseph olhou seriamente para Barros:
                -Estava na rua resolvendo aquilo que sua incompetência não permitiu.
                Barros olhou assustado para ele:
                -O que quer dizer?
                Joseph entrou na central, abriu o computador, buscou uma foto atual de Sara na internet e colocou-a em tela cheia:
                -Aqui está, Barros, essa é sua assassina.
                Todos pararam seus trabalhos e olharam para Joseph. Ninguém podia acreditar que em um dia ele poderia ter solucionado o caso.
                Barros não aceitaria assim tão fácil. Ele investigava desde o primeiro assassinato e não descobrira nada. Chegou perto de Joseph, que aparentava estar irritado:
                -Então me prove.
                Joseph levantou e olhou dentro dos olhos de Barros:
                -O único motivo do caso não estar terminado é que ainda não a peguei em flagrante. Mas você pode acrescentar a morte do Eduardo à sua lista.
                -Ele morreu de problemas do coração.
                Joseph gargalhou:
                -Vocês são tão tolos. Existe um tipo de veneno difícil de conseguir, mas extremamente eficiente, que é quase indetectável e faz com que o corpo tenha um ataque do coração. Infelizmente essa cidade está desatualizada em exames médicos, senão provaríamos a presença do veneno.
                Barros não pareceu satisfeito. Mas tinha que considerar aquela hipótese. Se a moça fosse mesmo uma assassina, teria que alertar os moradores.
                Como se adivinhasse seus pensamentos, Joseph falou de uma maneira extremamente objetiva ao grupo presente:
                -Ninguém fora dessa sala sabe dessa informação. Por isso, quero silêncio total. Não podem contar a ninguém que sabemos a identidade dela, senão corremos o risco de perdê-la.
                Todos concordaram, inclusive porque não tinham nenhuma prova concreta.
                Passada a euforia do momento, Barros sentou ao lado de Joseph que fazia algumas pesquisas na internet.
                O cabo Silva aproximou-se dos dois. Sempre calado, ele muitas vezes era esquecido. Mas dirigiu-se aos dois:
                -Desculpe-me, comandante, mas preciso sair por cinco minutos, pois tenho que resolver um assunto rápido.
                Sem dar importância ao fato, Barros respondeu grosseiramente:
                -Vá, Silva, só não demore.
                O que ninguém observou foi um sorrisinho no canto da boca de Joseph, que estava demonstrando estatísticas, os nomes dos assassinados e suas relações com Sara.
               
                Cabo Silva era um policial que trabalhava há mais de três anos com o comandante Barros. Era um jovem com menos de trinta anos, que tinha um porte físico alto e forte, sempre com a barba bem feita e cabelos raspados. Dificilmente era visto sem a farda e pouco sabia-se de seu passado.
                Nunca fora o mais inteligente, e sempre passava despercebido de todas as coisas, era como se sua existência fosse indiferente aos outros. Talvez esse tenha sido o motivo para Sara usá-lo.
                Os dois conheceram-se por um acaso após o primeiro assassinato. Sara pensara em matá-lo, pois ele assistira tudo, mas resolveu usá-lo. Ofereceu uma grande quantia em dinheiro para que ele fosse seu informante na polícia. Silva aceitou. Estava revoltado com a vida e aquela era sua chance de escapar da vida medíocre que tinha.
                Quando foi chamado para a investigação dos assassinatos, Sara comemorou. Tinha a polícia sendo vigiada e poderia praticar seu plano.
                Ao escutar que Joseph descobrira que Sara era a assassina, conseguiu um momento de folga para ligar para ela:
                -Sara, sou eu, o Silva.
                -O que você quer?
                -Tenho novidades urgentes para você. Mas não posso falar agora. Podemos nos encontrar à noite?
                Sara não tinha intensão de encontrar-se com Silva naquela noite, mas precisava saber o que ele descobrira:
                -Silva, me encontre na praça às 22 horas. Não se atrase.
                -Pode deixar, Sara. Mas até lá, tenha cuidado.
                Sara desligou o telefone.
                Silva entrou no centro de operações novamente. Todos estavam concentrados no seu trabalho que nem notaram seu retorno. Todos, menos Joseph.  Cada um retomou ao seu posto e continuaram o trabalho sem nenhuma novidade.
               

                Aos poucos, os funcionários foram embora. Por fim, restava somente Joseph e Barros. O comandante aproximou-se, após garantir que os três partiram:
                -Joseph, não entendi uma coisa: por que você pediu que eu fizesse aquela cena quando você chegou?
                Joseph sorriu:
                -Oras, Barros, você não percebeu? Temos um informante em nosso meio.
                -Informante? O que quer dizer?
                -Depois de mostrar a foto de Sara para todos, um por um saiu de seu posto e foi fazer alguma coisa. Monitorei cada um deles, e descobri que um dos seus está informando Sara sobre tudo que fazemos aqui.
                -Mas você tem certeza disso? E quem seria?
                -Olhe isso, Barros.
                Joseph mostrou uma imagem da gravação de Silva conversando com Sara no telefone. O comandante não parecia acreditar:
                -Você tinha razão! Mas ainda não entendi o motivo de fazer tanto barulho.
                -Barros, meu caro, precisávamos uma certa pressão psicológica para que o relator fizesse  um contato com Sara. Sabia que a pessoa ficaria preocupada em descobrir que eu sabia a verdade e tentaria avisá-la de alguma forma. E foi o que aconteceu.
                -Você é bom, Joseph. E o que faremos agora?
                Joseph sorriu:
                -Amanhã pegaremos o Silva e nós marcaremos um encontro com Sara. Assim a teremos em nossas mãos.

                Silva estava preocupado, mas ao mesmo tempo eufórico. Ele admirava Sara e a forma como ela agia. Sabia que estavam em lados opostos da lei, mas ainda sonhava em ter um amor proibido com ela. O tempo que estava trabalhando como informante fez com que ficasse mais e mais apaixonado por ela.
                Sara sabia daquela paixão louca e aproveitava-se disso. Por várias vezes saíam juntos, iam a restaurantes, peças de teatro e ao cinema. Normalmente essas noites terminavam na casa de Silva, onde os dois mantinham uma relação de prazer e perigo. Ela gostava desses momentos com ele, pois faziam-na esquecer um pouco de seus problemas e sentir-se amada de verdade.
                Os dois encontraram-se naquela noite na praça. Silva parou seu carro, buzinou e Sara entrou, aparentemente irritada:
                -O que é tão necessário assim para me contatar, Silva?
                -Ele sabe quem você é.
                -Como?
                -Joseph, esse cara novo que te falei. Ele chegou hoje e mostrou uma foto sua para o comandante. Depois berrou aos quatro cantos que essa era a assassina.
                -Interessante.
                Desde que Joseph chegara na cidade, os dois quase não se falavam, pois não podiam deixar que descobrissem a ligação de Silva com ela. Mas era um momento delicado e Sara precisava saber das últimas notícias.
                Sara escutou a revelação de Silva com surpresa:
                -Não esperava que fosse tão rápido.
                -E isso não te assusta?
                -Nem um pouco.
                -Mas ele pode ir atrás de você.
                Ela se aproximou de Silva e beijou-o:
                -Vamos aproveitar a noite. Ela tem que ser especial.
                Naquela noite, eles seguiram para um motel, o mais distante do centro, e tiveram uma noite de luxúria e prazeres inigualáveis.
                Já passava das 3h da madrugada quando Silva adormeceu. Sara beijou-o levemente, vestiu suas roupas e saiu sorrateiramente.
                Silva acordou uma hora e meia depois e viu que Sara partira. Precisava fazer o mesmo. Vestiu-se, saiu do quarto, pagou a conta, entrou em seu carro e dirigiu em direção ao centro.
                Era uma noite escura, com nuvens cobrindo toda a vastidão do céu.
                Um outro carro, todo apagado, iniciou uma perseguição ao carro de Silva. Ao perceber a perseguição, o policial acelerou seu carro. Mas quanto mais corria, mais o outro carro acelerava também. Ele pegou sua arma e olhou para trás. Atirou duas vezes, mas errou o carro, que ziguezagueava atrás dele.
                Ao virar para frente novamente, deparou-se com uma árvore caída. Não teve tempo de frear. Seu carro bateu de frente com a árvore.
                Silva bateu com a cabeça no volante com muita força, mas ainda estava consciente. Tentava soltar o cinto de segurança, mas seus reflexos estavam lentos. Estava com as pernas presas e provavelmente com uma delas quebrada.
                Ele olhou para a janela e viu uma figura aproximando-se. Gritou:
                -Por favor, me ajude.
                A figura usava um casaco marrom com capuz. Não dava para ver seu rosto. O que Silva conseguiu enxergar foi a mão, coberta com uma luva, segurando uma arma de fogo, parar sobre sua testa.
                Silva disse, desesperado:
                -Quem é você? Sara?
                A figura deu uma risada. Parecia que estava com o rosto coberto por uma máscara, pois estava com uma voz metálica:
                -Sou seu juiz e executor.
                Silva transpirava diante da face da morte. Sentia uma dor muito forte e não tinha como fugir daquela pessoa. Tentou ganhar tempo, desesperado em conseguir uma forma de sobreviver:
                -O que quer dizer? Não estou entendendo.
                A figura engatilhou a arma:
                -Você é dispensável. Aceite a morte como recompensa pelos seus atos.
                -Espere!
                Mas era tarde. A arma disparou, acertando a cabeça de Silva.
                Fez-se silêncio. O corpo inerte de Silva ficara caído sobre o volante do carro amassado.
                A figura ainda jogou gasolina sobre o carro e riscou um fósforo. Segundos depois, o carro explodiu, carbonizando o corpo do Cabo Silva. A única identificação que restara foi seu distintivo, que caíra fora do carro na hora da batida.
                As chamas logo chamaram a atenção dos moradores, que acionaram os bombeiros.
                Ao encontrar o distintivo caído, o bombeiro chefe ligou para o Comandante Barros:
                -Senhor, tenho péssimas notícias.


Próximo capítulo
A morte de Silva faz com que o comandante Barros queira tomar medidas rápidas para pegar Sara. Joseph revela parte de seu passado. Enquanto isso, Sara reencontra com o filho adotivo mais velho de Eduardo, que acusa-a de assassinar o pai.


Em 15 dias: Capítulo 4 - Dari apa yang telah disembunyikan oleh pasir waktu  - O que foi oculto pelas areias do tempo 

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