CAPÍTULO 3
Marilah kita menjadi hakim dan algojo - SEJAMOS JUÍZES E EXECUTORES
Joseph
ainda estava irritado por causa do velório. Aquela cena trouxera lembranças
ruins à sua mente. O pior foi ver as meninas sem esperança, sem paz, sem
consolo. Mas não podia perder o foco, era sua vez de realizar um movimento. Não
podia cometer erros, pois saberia que seria fatal.
Almoçou
na pensão conversando com Rocha. O piloto tornara-se um grande amigo e
conselheiro para todas as horas. As palavras que recebera do amigo animaram-no
para continuar a trabalhar naquele dia.
Ele
caminhou até a central onde deveria trabalhar. Ao entrar, o comandante o
esperava:
-Onde
você estava? Temos um caso para resolver e você está passeando por aí?
Joseph
olhou seriamente para Barros:
-Estava
na rua resolvendo aquilo que sua incompetência não permitiu.
Barros
olhou assustado para ele:
-O
que quer dizer?
Joseph
entrou na central, abriu o computador, buscou uma foto atual de Sara na
internet e colocou-a em tela cheia:
-Aqui
está, Barros, essa é sua assassina.
Todos
pararam seus trabalhos e olharam para Joseph. Ninguém podia acreditar que em um
dia ele poderia ter solucionado o caso.
Barros
não aceitaria assim tão fácil. Ele investigava desde o primeiro assassinato e
não descobrira nada. Chegou perto de Joseph, que aparentava estar irritado:
-Então
me prove.
Joseph
levantou e olhou dentro dos olhos de Barros:
-O
único motivo do caso não estar terminado é que ainda não a peguei em flagrante.
Mas você pode acrescentar a morte do Eduardo à sua lista.
-Ele
morreu de problemas do coração.
Joseph
gargalhou:
-Vocês
são tão tolos. Existe um tipo de veneno difícil de conseguir, mas extremamente
eficiente, que é quase indetectável e faz com que o corpo tenha um ataque do
coração. Infelizmente essa cidade está desatualizada em exames médicos, senão
provaríamos a presença do veneno.
Barros
não pareceu satisfeito. Mas tinha que considerar aquela hipótese. Se a moça fosse
mesmo uma assassina, teria que alertar os moradores.
Como
se adivinhasse seus pensamentos, Joseph falou de uma maneira extremamente
objetiva ao grupo presente:
-Ninguém
fora dessa sala sabe dessa informação. Por isso, quero silêncio total. Não
podem contar a ninguém que sabemos a identidade dela, senão corremos o risco de
perdê-la.
Todos
concordaram, inclusive porque não tinham nenhuma prova concreta.
Passada
a euforia do momento, Barros sentou ao lado de Joseph que fazia algumas
pesquisas na internet.
O
cabo Silva aproximou-se dos dois. Sempre calado, ele muitas vezes era
esquecido. Mas dirigiu-se aos dois:
-Desculpe-me,
comandante, mas preciso sair por cinco minutos, pois tenho que resolver um
assunto rápido.
Sem
dar importância ao fato, Barros respondeu grosseiramente:
-Vá,
Silva, só não demore.
O
que ninguém observou foi um sorrisinho no canto da boca de Joseph, que estava
demonstrando estatísticas, os nomes dos assassinados e suas relações com Sara.
Cabo
Silva era um policial que trabalhava há mais de três anos com o comandante
Barros. Era um jovem com menos de trinta anos, que tinha um porte físico alto e
forte, sempre com a barba bem feita e cabelos raspados. Dificilmente era visto
sem a farda e pouco sabia-se de seu passado.
Nunca
fora o mais inteligente, e sempre passava despercebido de todas as coisas, era
como se sua existência fosse indiferente aos outros. Talvez esse tenha sido o
motivo para Sara usá-lo.
Os
dois conheceram-se por um acaso após o primeiro assassinato. Sara pensara em
matá-lo, pois ele assistira tudo, mas resolveu usá-lo. Ofereceu uma grande
quantia em dinheiro para que ele fosse seu informante na polícia. Silva
aceitou. Estava revoltado com a vida e aquela era sua chance de escapar da vida
medíocre que tinha.
Quando
foi chamado para a investigação dos assassinatos, Sara comemorou. Tinha a
polícia sendo vigiada e poderia praticar seu plano.
Ao
escutar que Joseph descobrira que Sara era a assassina, conseguiu um momento de
folga para ligar para ela:
-Sara,
sou eu, o Silva.
-O
que você quer?
-Tenho
novidades urgentes para você. Mas não posso falar agora. Podemos nos encontrar
à noite?
Sara
não tinha intensão de encontrar-se com Silva naquela noite, mas precisava saber
o que ele descobrira:
-Silva,
me encontre na praça às 22 horas. Não se atrase.
-Pode
deixar, Sara. Mas até lá, tenha cuidado.
Sara
desligou o telefone.
Silva
entrou no centro de operações novamente. Todos estavam concentrados no seu
trabalho que nem notaram seu retorno. Todos, menos Joseph. Cada um retomou ao seu posto e continuaram o
trabalho sem nenhuma novidade.
Aos
poucos, os funcionários foram embora. Por fim, restava somente Joseph e Barros.
O comandante aproximou-se, após garantir que os três partiram:
-Joseph,
não entendi uma coisa: por que você pediu que eu fizesse aquela cena quando
você chegou?
Joseph
sorriu:
-Oras,
Barros, você não percebeu? Temos um informante em nosso meio.
-Informante?
O que quer dizer?
-Depois
de mostrar a foto de Sara para todos, um por um saiu de seu posto e foi fazer
alguma coisa. Monitorei cada um deles, e descobri que um dos seus está
informando Sara sobre tudo que fazemos aqui.
-Mas
você tem certeza disso? E quem seria?
-Olhe
isso, Barros.
Joseph
mostrou uma imagem da gravação de Silva conversando com Sara no telefone. O
comandante não parecia acreditar:
-Você
tinha razão! Mas ainda não entendi o motivo de fazer tanto barulho.
-Barros,
meu caro, precisávamos uma certa pressão psicológica para que o relator
fizesse um contato com Sara. Sabia que a
pessoa ficaria preocupada em descobrir que eu sabia a verdade e tentaria
avisá-la de alguma forma. E foi o que aconteceu.
-Você
é bom, Joseph. E o que faremos agora?
Joseph
sorriu:
-Amanhã
pegaremos o Silva e nós marcaremos um encontro com Sara. Assim a teremos em
nossas mãos.
Silva
estava preocupado, mas ao mesmo tempo eufórico. Ele admirava Sara e a forma
como ela agia. Sabia que estavam em lados opostos da lei, mas ainda sonhava em
ter um amor proibido com ela. O tempo que estava trabalhando como informante
fez com que ficasse mais e mais apaixonado por ela.
Sara
sabia daquela paixão louca e aproveitava-se disso. Por várias vezes saíam
juntos, iam a restaurantes, peças de teatro e ao cinema. Normalmente essas
noites terminavam na casa de Silva, onde os dois mantinham uma relação de
prazer e perigo. Ela gostava desses momentos com ele, pois faziam-na esquecer
um pouco de seus problemas e sentir-se amada de verdade.
Os
dois encontraram-se naquela noite na praça. Silva parou seu carro, buzinou e
Sara entrou, aparentemente irritada:
-O
que é tão necessário assim para me contatar, Silva?
-Ele
sabe quem você é.
-Como?
-Joseph,
esse cara novo que te falei. Ele chegou hoje e mostrou uma foto sua para o
comandante. Depois berrou aos quatro cantos que essa era a assassina.
-Interessante.
Desde
que Joseph chegara na cidade, os dois quase não se falavam, pois não podiam
deixar que descobrissem a ligação de Silva com ela. Mas era um momento delicado
e Sara precisava saber das últimas notícias.
Sara
escutou a revelação de Silva com surpresa:
-Não
esperava que fosse tão rápido.
-E
isso não te assusta?
-Nem
um pouco.
-Mas
ele pode ir atrás de você.
Ela
se aproximou de Silva e beijou-o:
-Vamos
aproveitar a noite. Ela tem que ser especial.
Naquela
noite, eles seguiram para um motel, o mais distante do centro, e tiveram uma
noite de luxúria e prazeres inigualáveis.
Já
passava das 3h da madrugada quando Silva adormeceu. Sara beijou-o levemente,
vestiu suas roupas e saiu sorrateiramente.
Silva
acordou uma hora e meia depois e viu que Sara partira. Precisava fazer o mesmo.
Vestiu-se, saiu do quarto, pagou a conta, entrou em seu carro e dirigiu em
direção ao centro.
Era
uma noite escura, com nuvens cobrindo toda a vastidão do céu.
Um
outro carro, todo apagado, iniciou uma perseguição ao carro de Silva. Ao
perceber a perseguição, o policial acelerou seu carro. Mas quanto mais corria,
mais o outro carro acelerava também. Ele pegou sua arma e olhou para trás.
Atirou duas vezes, mas errou o carro, que ziguezagueava atrás dele.
Ao
virar para frente novamente, deparou-se com uma árvore caída. Não teve tempo de
frear. Seu carro bateu de frente com a árvore.
Silva
bateu com a cabeça no volante com muita força, mas ainda estava consciente.
Tentava soltar o cinto de segurança, mas seus reflexos estavam lentos. Estava
com as pernas presas e provavelmente com uma delas quebrada.
Ele
olhou para a janela e viu uma figura aproximando-se. Gritou:
-Por
favor, me ajude.
A
figura usava um casaco marrom com capuz. Não dava para ver seu rosto. O que
Silva conseguiu enxergar foi a mão, coberta com uma luva, segurando uma arma de
fogo, parar sobre sua testa.
Silva
disse, desesperado:
-Quem
é você? Sara?
A
figura deu uma risada. Parecia que estava com o rosto coberto por uma máscara,
pois estava com uma voz metálica:
-Sou
seu juiz e executor.
Silva
transpirava diante da face da morte. Sentia uma dor muito forte e não tinha
como fugir daquela pessoa. Tentou ganhar tempo, desesperado em conseguir uma
forma de sobreviver:
-O
que quer dizer? Não estou entendendo.
A
figura engatilhou a arma:
-Você
é dispensável. Aceite a morte como recompensa pelos seus atos.
-Espere!
Mas
era tarde. A arma disparou, acertando a cabeça de Silva.
Fez-se
silêncio. O corpo inerte de Silva ficara caído sobre o volante do carro
amassado.
A
figura ainda jogou gasolina sobre o carro e riscou um fósforo. Segundos depois,
o carro explodiu, carbonizando o corpo do Cabo Silva. A única identificação que
restara foi seu distintivo, que caíra fora do carro na hora da batida.
As
chamas logo chamaram a atenção dos moradores, que acionaram os bombeiros.
Ao
encontrar o distintivo caído, o bombeiro chefe ligou para o Comandante Barros:
-Senhor,
tenho péssimas notícias.
Próximo capítulo
A morte de Silva faz
com que o comandante Barros queira tomar medidas rápidas para pegar Sara.
Joseph revela parte de seu passado. Enquanto isso, Sara reencontra com o filho
adotivo mais velho de Eduardo, que acusa-a de assassinar o pai.
Em 15 dias: Capítulo
4 - Dari apa yang telah disembunyikan oleh pasir waktu - O que foi oculto pelas areias do tempo
Ótima historia
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