sábado, 26 de outubro de 2013

Perseguição - Capítulo 2

CAPÍTULO 2
 Hidup dengan tangan kotor untuk memanipulasi - VIDA QUE MANIPULAMOS COM MÃOS IMPURAS

                Joseph e Rocha chegaram à central de polícia de Sordes. Ali, o comandante Barros o aguardava:
                -Senhores, por favor, entrem.
                Os dois entraram numa sala onde havia dois computadores com duas mulheres trabalhando intensamente, um policial monitorando o trabalho, uma mesa com um notebook e duas cadeiras e, no fundo, uma porta para o banheiro. Essa era a central que procurava encontrar o assassino misterioso.
                -Senhor Joseph, essas são nossas instalações. Eu estarei aqui auxiliando na busca por esse assassino.  Estas são Meg e Ana, as secretárias, e este é o Cabo Silva, que ajuda na operação. O que os senhores desejam neste momento?
                Joseph olhou para Rocha, que estava exausto da longa noite pilotando e depois dirigindo:
                -Precisamos ir para a pensão e dormir um pouco. Mais tarde retorno.
                Os dois foram levados para uma pensão pequena, porém confortável, que servia comida caseira e oferecia pequenos serviços de quarto. Eles colocaram as malas dentro do quarto, arrumaram tudo e Rocha deitou. Joseph fez um sinal para o amigo:
                -Descanse, Rocha. Teremos muito trabalho.
                -E você, Joseph?
                -Vou dar uma volta e retorno em breve.
                Joseph saiu da pensão para estabelecer uma rotina que seguiria todos os dias que estivesse na cidade: passou em uma padaria, pediu um café, bebeu, pagou e trocou algumas palavras com a atendente. Depois, seguiu até uma banca, comprou o único jornal local, andou 50 metros e sentou em um banco na mesma praça que vira Sara. Ali, leu todas as notícias, levantou, deu uma volta no quarteirão e retornou à pensão. Tinha feito um reconhecimento da cidade que, segundo ele, não mudara muito em dez anos.

                Sara estava animada naquela manhã. Conseguira atrair a atenção de Joseph e trrazê-lo para a cidade mais rápido do que imaginava. Isso provava sua teoria sobre os assassinos. Sentia-se livre, pronta para realizar seus planos.
                Ela passou na única padaria perto da praça da cidade, pediu um café e um pão. Pagou a conta e seguiu para a empresa Mr Bonnes, pois teria um dia intenso de trabalho.
                Ao virar a esquina, seu celular tocou. Ela pegou e fez uma cara não muito boa. Era Eduardo, o homem que a abrigara dez anos atrás quando tivera a vida salva por Joseph. Atendeu com pouca vontade:
                -Oi.
                -Bom dia, filha. Tudo bem com você?
                Sara odiava ser chamada de "filha",  pois conhecia seu verdadeiro pai, mas Eduardo sempre chamava-a dessa forma. Ela já estava um tanto quanto enfurecida. Ele já tirara o sorriso que estava estampado em seu rosto:
                -O que você quer, Dudu?
                Todas as crianças adotadas por Eduardo chamavam-no de Dudu, um apelido carinhoso, mas desprezível aos olhos de Sara. Ela chamava-o assim como se isso fosse colocá-lo abaixo dela.
                -Minha filha, estou com saudades de você. Tem três dias que não nos falamos e você não vem me visitar há mais de um mês. Por favor, venha no meu almoço hoje.
                Sara havia esquecido que aquele dia era o aniversário dele. Ela odiava aniversários, desde que os pais foram assassinados numa festa de aniversário, mas Eduardo insistia em comemorar. E fazia questão da presença de todos. Ela iria dizer que não ia, mas conteve-se. Pela sua mente, uma perversa frase ecoou: "Um belo dia para morrer!".
                -Ok, Eduardo, mas não poderei demorar muito. Vou só passar em casa antes.
                -Minha filha querida, que felicidade! Estarei te aguardando ansiosamente. E... Sara... Eu te amo muito.
                Sara não respondeu. Apenas desligou o telefone.
                Eduardo era uma figura bem conhecida em Sordes. Desde que completara vinte anos abrigava crianças em sua casa, uma grande mansão herdada de seus pais. No total, adotara três meninos e sete meninas. Cada uma criança que entrava para morar com ele era motivo de festa. Ele dava entrevista em jornais, tirava fotos, e tentava mostrar o quanto era uma boa pessoa. A única que entrara sem festa fora Sara, devido à emergência em que terminara na casa dele.  Era querido por todos na cidade e muitos queriam ajudar a cuidar de suas crianças, mas ele recebera uma herança muito grande e não aceitava nenhum tipo de ajuda. Nunca casara, escolhera dedicar sua vida às suas crianças.
                Quando completavam 18 anos, eles poderiam continuar na casa, mas Sara preferiu sair e morar sozinha. Esse fato entristeceu muito Eduardo, mas não a impediu.
                Naquela manhã, onde completaria 47 anos, acordara animado e tivera um café da manhã especial preparado pelos seus filhos adotivos. Conversara com todos durante a parte da manhã, alguns saíram para trabalhar e as duas meninas mais novas ficaram preparando o almoço. Depois de ligar para Sara, preparou uma bonita mesa que tinha na cozinha e colocou um conjunto de louças especiais que usava sempre em aniversários. "Será um almoço especial!" pensou.
                Quando o relógio marcou 12h, Sara entrou na casa de Eduardo. Abraçou-o, por convenção:
                -Feliz aniversário!
                -Obrigado, minha filha querida!
                Sara pensou em falar algo, mas desistiu. Ela carregava uma bolsa, que entregou a Eduardo:
                -Um pequeno presente.
                Era uma garrafa de vinho, de uma safra especial. Na casa, somente Eduardo bebia vinho, e era um apaixonado pela bebida. Logo abriu a garrafa e começou a beber.
                -Que vinho delicioso, filha!
                -Hoje é um dia especial, Dudu! Você merece comemorar!
                Quando todos os que moravam com Eduardo chegaram, o almoço foi servido. Havia muita fartura, e degustaram o melhor da comida local. Ainda tiveram tempo para uma sobremesa.  Quando acabaram de comer, sentaram na sala e ficaram conversando. Sara estava numa poltrona acolchoada, que fora sua preferia durante todo o tempo em que estava naquela casa, e olhava fixamente para Eduardo. Por um momento, olhou para o relógio de parede acima da cabeça dele e deixou escapar um sorriso pelo canto da boca.
                Cinco minutos passaram-se. Eduardo começou a sentir algo estranho. Era como se flutuasse, como se aos poucos estivesse se distanciando da realidade. Tentou ficar em pé, mas foi só por um momento, pois caiu, já desacordado.
                Os filhos adotivos correram para socorrê-lo. Uma gritaria de desespero tomou conta daquela sala. Sara friamente discou o número dos bombeiros e disse:
                -Por favor, vocês poderiam enviar uma ambulância? Meu pai passou mal e caiu desacordado.
                Os bombeiros chegaram em cinco minutos, mas era tarde. Eduardo já estava morto.

                Paralelo a esses acontecimentos, Joseph descansou durante toda a parte da manhã. Ao levantar, almoçou na pensão e seguiu para a central, onde trabalharia para resolver o caso do assassino.
                O Comandante Barros sentou ao lado de Joseph e começou a explanar  a situação:
                -Senhor, foram cinco assassinatos. Para uma cidade pequena, isso é muito, todos estão com medo e esperam algo da polícia. Eles temem que isso possa continuar.
                Joseph olhou para aquele homem, tão desesperado e tão despreparado. Ele sabia que não seria tão simples assim pegar a assassina, mesmo sabendo quem era. Precisava de provas, de um deslize. E cometer erros não era algo comum para um assassino. Mas estava curioso também, pois não sabia quem a tinha treinado tão bem.
                -Barros, fique tranquilo. Vamos pegar o responsável por isso. Só tenha paciência. Temos que pegá-la de forma que não consiga escapar. Por hora, traga-me as fichas dos homens que morreram.
                Joseph já tinha lido a ficha de cada um e sabia como relacionavam-se com Sara, mas esperava por algo mais concreto para poder prendê-la.
                Enquanto relia as fichas, escutou a ambulância dos bombeiros passar correndo bastante. Chamou o comandante:
                -Barros, o que houve?
                -Não sei, senhor, mas vou verificar.
                Cinco minutos depois, após muitas ligações, Barros trouxe a resposta para Joseph:
                -Senhor, um homem teve um infarto. Parece que não resistiu.
                Joseph escrevia uma mensagem no celular e escutou sem olhar para o comandante. Depois de terminar sua tarefa, respondeu:
                -Que pena. Pensei que fosse algo relacionado ao nosso caso. Mais uma coisa, Barros... Pare de me chamar de senhor.
                Naquela tarde nada mais aconteceu. Joseph verificou os arquivos no computador e fez algumas anotações. Por fim, dispensou todos e foi embora.

                Amanheceu em Sordes, e era o segundo dia que Joseph estava na cidade. Ele levantou às 6h da manhã e resolveu seguir sua rotina. Desceu e foi na padaria. Ali, escutou os primeiros relatos do que acontecera no dia anterior:
                -Soube do Eduardo, aquele das crianças?
                -Não, o que aconteceu?
                -Ele morreu ontem. Disseram que estava almoçando com a família e seu coração não aguentou.
                -Mas assim... do nada?
                -Ah, nunca se sabe. Quando se trata de coração muitas vezes somos pegos de surpresa.
                Joseph degustava seu café enquanto estava atento àquilo que ouvia. A história deixou-o intrigado. Era coincidência demais isso acontecer logo no dia que ele chegou. Poderia ser somente um caso de morte natural, mas Joseph duvidava.
                Ele pagou o café e caminhou até a banca. Ali comprou a edição diária do jornal local. Na primeira página estava estampada a foto de Eduardo, com os dizeres: "Faleceu ontem Eduardo, grande benfeitor das crianças".
                Joseph sentou no banco da praça e leu todas as notícias. Gastou mais tempo na notícia da morte de Eduardo. Leu com calma, digerindo cada palavra. Olhou para o relógio, que marcava  6:30h. Ligou para o Comandante Barros:
                -Comandante, não irei trabalhar agora cedo. Se houver alguma emergência, me ligue.
                -Sim, Joseph. Mas se me permite, onde vai tão cedo?
                Joseph deixou escapar um riso sórdido:
                -Vou a um velório.
                Antes que Barros pudesse perguntar alguma coisa, Joseph desligou. Ele levantou do banco, entrou em um ônibus e ficou sério. Sabia que era um movimento um pouco arriscado, mas não poderia perder a oportunidade.
                Após passar 40 minutos no trânsito, desceu em frente ao cemitério. Viu um grande movimento em torno de uma das capelas e para lá seguiu. Observou cada um dos presentes, mas não encontrou Sara. Cumprimentou todos os presentes, demonstrando estar emocionado com a cena de ver o homem morto. Reparou que duas crianças estavam olhando de longe. Aproximou-se:
                -Vocês devem estar tristes.
                Uma das meninas olhou para ele com olhos assustados, mas ao mesmo tempo tristes:
                -Tio, o que será de nós? Ele cuidava da gente...
                Joseph abraçou a menina. Queria dizer que tudo ficaria bem, mas não queria mentir para a menina. Acariciou a cabeça dela, até que alguém a chamou. Olhou para a mais velha:
                -Onde está a outra irmã de vocês, a Sara?
                Ela olhou seriamente para Joseph:
                -Sara nem se importou. Depois que Dudu morreu ela ligou para os bombeiros e foi embora. Nem aqui ela apareceu. Ela nunca se importou realmente conosco. Dudu sempre fez tudo por ela e ela sempre pensou só em si.
                Joseph refletiu por um momento, despediu-se da menina e partiu.
                Ele estava cada vez mais certo de que Sara era a responsável. Ainda ficou alguns minutos na porta do cemitério e viu o caixão sendo carregado e colocado no túmulo. Virou e partiu, sentindo uma revolta dentro de si.

                Longe dali, Sara entrava na empresa que trabalhava e seguia para seu posto. Pegou diversos papéis e começou a organizá-los. Ali ficou até que seu chefe chegou:
                -Sara? O que faz aqui? Pensei que estaria no velório do seu pai...
                Sara esperava não ser vista por José, que era o homem que a chefiava naquele momento. Logo inventou uma desculpa:
                -Ah, chefe, estou tão abalada que não consegui ir. Preferi vir para cá para me distrair.
                Abraçou José e chorou. O chefe tentou consolá-la:
                -Acalme-se, Sara. Vamos, vamos dar uma volta para você se acalmar.
                Sara conseguira mais uma vez. Tinha o chefe em suas mãos.


Próximo Capítulo

Joseph revela ao Comandante Barros que sabe quem é a assassina e diz que a pegará logo. A informação chega aos ouvidos de Sara, que demonstra gostar da notícia, afirmando que seu plano estava seguindo o andamento programado.


Em 15 dias: Capítulo 3 -  Marilah kita menjadi hakim dan algojo - Sejamos juízes e executores

Nenhum comentário:

Postar um comentário