sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Perseguição - Capítulo 6

CAPÍTULO 6
Mencerminkan kecerahan keadilan kami - REFLITAM O BRILHO DE NOSSA JUSTIÇA

                Mais um dia amanhecia em Sordes. Joseph não dormira nada naquela noite, relembrando seu passado. Antes do despertador tocar, já estava de pé, caminhando pela pensão. Teria um dia cheio e não podia deixar o cansaço atrapalhar seus objetivos.
                "Faltam poucos dias", pensou, "só mais alguns dias e tudo acabará".
                Joseph pegou uma mala e colocou uns papéis dentro. Escondido no meio de tudo, uma pequena arma que usava para esse tipo de situação. Vestiu uma roupa social, colocou um óculos escuro e saiu da pensão.
                Quando ainda estava na porta, escutou o barulho da explosão.

                Sara deixara a casa da montanha ao amanhecer. Trancara tudo e pela primeira vez estranhara o fato de ninguém nunca ter procurado pelo seu mestre e o filho dele.
                Ela caminhou devagar, em direção do centro da cidade. Intencionava ir até a praça, sentar e esperar as informações do dia, que sempre recebia do dono da padaria. O homem informava Sara de cada passo que presenciava no centro da cidade. Mas nos últimos dias informava-a sobre tudo que Joseph falava enquanto tomava seu café.
                Enquanto descia, sentiu fome. Não comia há horas. Resolvera que servir-se-ia de um reforçado café com pão ao chegar na padaria.
                Quanto mais se aproximava da praça, mais barulho escutava. De repente, ouviu um grande estrondo.  Ficou assustada, mas correu em direção ao barulho.

                O Comandante Barros fazia uma ronda antes de ir para a central de operações. Passou pela praça da cidade por várias vezes e desconfiou de uma movimentação que acontecia antes do dia nascer. Desceu do carro, armado, e abordou a pessoa que ali estava:
                -Boa noite, cidadão.
                O homem olhou para o policial. Era o dono da padaria, que preparava-se para mais um dia de trabalho:
                -Se me permite, já posso dizer bom diz, policial.
                Ao reconhecer o homem, Barros continuou a ronda.
                Resolvera esperar um pouco para tomar o famoso café, e adormeceu dentro do carro.
                A explosão o despertou. Barros abriu os olhos e viu o fogo consumindo toda a padaria, fechando uma rua e dividindo a cidade. Em minutos os bombeiros apareceram e tentavam desesperadamente conter as chamas.
                Barros aproximou-se, identificou-se e tentou saber a real situação:
                -Alguém sabe o que ocorreu aqui?
                -Senhor, pareceu explosão de gás. Parece que o dono da padaria morreu carbonizado.
                Barros lamentou. Tinha conversado com o pobre homem momentos antes. Ele ligou para Joseph:
                -Joseph...
                -Escutei uma explosão, Barros, o que houve?
                -Estou aqui, do outro lado, a padaria explodiu. Parece que o dono teve um vazamento de gás. Ele não conseguiu sair.
                -Que pena. Mas você disse que está preso aí, por quê?
                -As ruas estão fechadas.
                -Hum... Isso é ruim. Vou avisar na central que você vai demorar.
                -E quanto à você?
                -Vou visitar a Mr Bonnes. Essa empresa esconde algo. Quero descobrir o quê.
                Barros desligou. Ele olhou para o lado e viu uma mulher loira falando no telefone. Pronunciou as quatro letras que mais esperava dizer naqueles dias:
                -Sara!

                Sara chegara ao centro da cidade e ficara assustada com aquela explosão. Tremia diante à face do sombrio pensamento que viera à sua mente:
                "Ele deve ter descoberto tudo e..."
                Mas neste momento escutou um bombeiro falando:
                -Ainda tem cheiro de gás, temos que ter cuidado.
                Vazamento de gás. Sara lamentou pela vida de seu informante, mas estava aliviado por não ter sido o que pensara anteriormente.
                Ela caminhou até o ponto onde estava o isolamento. Viu que não chegaria na empresa para trabalhar. Pegou seu celular e ligou para José:
                -Chefe, aconteceu um problema. Uma explosão no centro da cidade, estou presa do outro lado e não tem como eu passar.
                -Que ruim, Sara. Hoje terei uma visita importante aqui e esperava que você mostrasse a empresa para ele, mas eu mesmo o farei. Se conseguir, venha na parte da tarde.
                -Sim senhor, chefe.
                Foi o momento em que escutou um homem ao seu lado falando seu nome:
                -Sara!
                Ela olhou mas não reconheceu aquele policial:
                -Pois não, policial.
                O Comandante Barros sorriu. Olhou seriamente para ela e disse:
                -É engraçado como ele tem razão. Tudo acaba conectado a você. E então, o que armou para esse dia? Muita coincidência você estar aqui logo depois da explosão.
                Sara tentava uma fuga. Não estava armada e não podia fazer nada, pois diversos policiais estavam ao redor da explosão. Parecia estar sem saída. Tentou enrolar Barros:
                -Desculpe-me, mas não sei que o senhor é, nem do que está falando.
                Barros riu  novamente:
                -Tão doce, tão inocente... Pois saiba, Sara, que seu tempo está acabando. Eu sou o Comandante Barros  e vou te colocar na cadeia por todos os seus crimes.
                Antes que pudesse responder algo, uma explosão secundária fez com que Barros e ela corressem e procurassem abrigo.
                Barros ficou irritadíssimo. Perdeu uma chance de prendê-la.
                Mas aquele encontro fora importante para Barros. Ele finalmente lembrou de onde conhecia Sara.
                Na noite sangrenta de Sordes ele fora convocado para investigar as estranhas mortes. Mas o que encontrou foi uma menininha correndo desesperada porque sua mãe  fora assassinada. Barros ficarapreocupado com a segurança dela, pois era a única testemunha. Levou-a até a casa de um policial de confiança. Mas nunca tiveram a oportunidade de interrogá-la, pois ela fugira da casa minutos depois. O caso fora abafado por causa dos policiais.
                Foi depois dessa fuga que ela encontrara a casa de Eduardo, onde, cansada e com fome, tivera que ficar.

                Sara respirou aliviada por causa da segunda explosão. Fora sua chance de escapar. Ficara chateada com a notícia da morte do dono da padaria, seu amigo pessoal e informante, mas precisava seguir em frente e não podia deixar que Barros a prendesse. Logo permeou a mente com um pensamento:
                "Tenho que matar esse policial."

                Joseph seguiu para a Mr Bonnes. Era um grande prédio e, segundo ele, mantinha a mesma estrutura de dez anos antes. Entrou pela porta da frente e anunciou à recepcionista:
                -Tenho um horário marcado com o senhor José.
                -Qual o seu nome, por favor?
                -Joseph, do Departamento de Proteção à Empresas.
                A recepcionista fez uma ligação e disse, sem olhar para ele:
                -Pegue o elevador à direita. Terceiro andar.
                Joseph entrou no elevador e notou que havia uma entrada para uma pequena chave que acionaria um andar inferior. Aquilo o intrigou. E estava certo em desconfiar.
                Apertou o botão referente ao andar que encontraria José e esperou chegar ao terceiro andar.
                Ali, foi recebido por uma simpática mulher:
                -Por favor, seu Joseph. Espere nesta sala.
                Joseph sentou em uma confortável cadeira em frente a uma mesa. A mulher saiu e fechou a porta da sala.
                Dez minutos se passaram e José entrou pela sala. Estava um pouco cansado, com fortes olheiras. Parecia um pouco zonzo. Sentou na cadeira em frente à Joseph e coçou os olhos:
                -Perdão pela minha aparência. Tive uma noite difícil. E minha assistente ficou presa na cidade por causa de uma explosão.
                Joseph deixou escapar um risinho de canto de boca. Pegou um papel e começoou a conversar com José:
                -Vou fazer algumas perguntas, o senhor por favor me responda. Prometo que serei prático.
                José concordou com a cabeça. Só queria livrar-se do serviço burocrático. Joseph iniciou o seu questionário:
                -Primeira coisa que quero saber. Essa empresa se chama Mr Connes ou Mr Bonnes?
                -Os dois nomes representam a mesma empresa. Um é o nome Jurídico, o outro é o nome fantasia. Com a morte do fundador, mudamos um pouco o nome da empresa para desfazer a imagem negativa que ficamos por causa do dia sangrento.
                -Hum... Falando nesse dia, houve algum sobrevivente?
                -Somente os que não puderam ir na festa. Isso significa: eu e minha família, que tivemos um problema com o carro e mais uns dois ou três funcionários que não justificaram a falta.
                -Ou seja, o senhor acabou com o cargo de diretor geral após a tragédia.
                José olhou muito sério para Joseph:
                -O que está dizendo? Eu sou um simples diretor de marketing. Sou o responsável por essa matriz, mas existe ainda o presidente da empresa.
                -E quem seria esse presidente?
                -Sinceramente? Não sei. Não vejo ninguém com perfil de presidente aqui no prédio, e nem sei mesmo se ele já apareceu aqui. Só sei que recebo por diretor e trabalho como presidente.
                José sentia-se mais cansado ainda. Pediu dois cafés, um para ele e um para Joseph. Questionou:
                -Desculpe, mas qual a relevância dessas perguntas?
                -Senhor José, este é meu trabalho. Perguntar. A análise das perguntas e respostas não sou eu que faço. Próxima questão: qual a área de atuação da empresa?
                -Atualmente é muito ampla. Inicialmente nós exportávamos material de papelaria e escritório, mas atualmente nosso maior campo é a tecnologia. Fabricamos desde de componentes de celulares a computadores.
                Joseph anotava as respostas. Chegou ao que ele esperava:
                -Preciso fotografar algumas dependências. Podemos?
                José concordou, um pouco zonzo. Levantou, mas sentou de novo:
                -Você está bem, José?
                Ele fez um sinal negativo:
                -Por favor, me ajude a ficar de pé.
                Joseph o apoiou:
                -José, você não parece bem. Vamos deixar as fotos para outro dia.
                José concordou com a cabeça:
                -Te agradeço.
                E não viu mais nada. Desmaiou e foi aparado por Joseph, que gritou por ajuda.
                A mulher que o atendera inicialmente entrou e ajudou a colocar José na cadeira. Ele transpirava e parecia sentir dor. Dali, ligaram para a emergência, que em minutos chegou no prédio com três enfermeiros e um médico. Eles levaram o diretor da empresa para o hospital para realizar exames e descobrir o problema de José.
                Quando tudo acalmou e Joseph fora deixado para trás, ele deu início ao que foi fazer na fábrica: procurar respostas.
                Foi até o computador e conectou um pendrive. Iniciou um programa espião e copiou todos os arquivos da empresa dos últimos dez anos. Era o material que esperava adquirir, mas depois que entrou no prédio, tinha conseguido muito mais. Abriu a gaveta embaixo do computador e pegou uma pequena chave, a chave que dava acesso ao andar trancado da empresa.
                "O lugar mais improvável de esconder uma chave", pensou, "numa gaveta à vista de todos."
                Fechou a gaveta, retirou seu pendrive e seguiu para o elevador.
                Com a pequena chave, ativou o andar trancado. As portas do elevador fecharam e ele desceu rapidamente. Quando parou e abriu, Joseph viu-se diante de uma porta. Ele saiu do eevador, abriu a porta devagar.
                Joseph sorriu, assustado e admirado pelo que viu:
                "Isso era tudo que eu precisava encontrar."

Próximo capítulo
 No dia dos mortos, Joseph e Sara estarão frente a frente depois de dez anos. Ele revelará algo que mudará toda a história dela. 


Em breve: Capítulo 7 - Makan nenek moyang kita - O túmulo de nossos pais

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