sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Perseguição - Capítulo 9

CAPÍTULO 9
Wajah depan kematian - FRENTE À FACE DA MORTE

                -O que faz aqui? Quem é você?
                Sara, ainda em choque por ter encontrado o corpo de sua mãe dentro de um tubo, virou-se e olhou para o homem que a chamava:
                -Pa...pai? Não pode ser!
                Ela puxou sua arma e apontou para ele:
                -Quem é você... de verdade?
                O homem, assustado por ter uma arma apontada para ele, levantou as mãos:
                - Acalme-se. Eu sou o dono dessa empresa, o Sr. Connes.
                Sara demonstrou irritação:
                -Não pode ser. O Sr Connes era meu pai, e eu o vi morrer há dez anos.
                O homem olhou para ela:
                -Não acredito! Sara! É você mesmo?
                Tentou se aproximar:
                -Não dê nem mais um passo.
                Ele parou novamente:
                -Filha, estou te procurando todos esses anos. Por onde você esteve?
                Sara ficou ainda mais irritada:
                -Me procurando? Há dez anos te vi morrer. Há dez anos vi minha mãe morrer. Há dez anos estou sozinha neste mundo. E você diz que estava me procurando?
                Diante da revolta e da seriedade de Sara, ele começou a falar:
                -As coisas fugiram do controle naquele dia. Não era para vocês terem saído da festa. O homem confundiu sua mãe e a perseguiu.
                -E a matou, diante de mim.
                Ele suspirou:
                -Uma perda lastimável.
                -Uma perda lastimável? É assim que você vê a morte da minha mãe? E por que o corpo dela está aqui?
                -Ah, filha, quando a encontramos, minha melhor equipe a trouxe para cá no intuito de revivê-la. Mas até agora só o que conseguimos foi manter o corpo dela neste estado. Durante os últimos dez anos temos tentado de tudo mas não tivemos sucesso.
                Sara notou que ele deu uma leve olhada para algo que parecia estar atrás dela. Sentiu uma presença aproximando-se. Virou e disparou contra dois homens vestidos de branco que estavam prontos para segurá-la. Foram dois tiros certeiros. Voltou-se novamente para seu pai, que a olhava extremamente assustado:
                -Agora eu quero a verdade.
                O poderoso sr. Connes estava acuado. Sua própria filha o ameaçava com uma arma.
                Sara perdeu a paciência. Puxou um dos tubos que estava ao seu lado com uma agressividade tamanha que arrancou-o. O tubo foi lançado sobre seu pai, que não teve como defender-se e caiu, devido ao impacto.
                Ela aproximou-se, chutou o tubo, fazendo com que o líquido escorresse pelo chão. Dentro do tubo ficou apenas uma orelha. Depois, colocou o pé no pescoço de seu pai:
                -Quem você acha que me tornei? Acha que sou ainda aquela menininha boba que você criou e tentou matar?
                Ela saiu de cima dele:
                -Fique de pé, você vem comigo.
                -Sara, eu..
                Ela chutou o rosto do homem, apontando a arma para ele:
                -Ande logo, seu desgraçado! Sofri nos últimos dez anos por sua causa e você tenta me enganar! Ande logo!
                Um pouco zonzo, o Sr. Connes ficou de pé. Não queria argumentar com uma pessoa armada.
                Ele caminhou na direção contrária da porta, com a arma de Sara em sua cabeça. Passaram por uma porta escondida e encontraram várias escadas.
                Os dois desceram e depois de vários lances de escada, chegaram na rua. Sara sinalizou para um taxi e os dois entraram no carro.

                Joseph sentia-se cansado e zonzo. Perdera muito sangue e fizera muito esforço contra os homens. Seu braço doía devido ao ferimento da bala. Mas não podia parar. Enviara Sara para conhecer a verdade sobre seu passado, mas estava sozinha. E era perigoso deixá-la sozinha.
                Joseph caminhou pelo corredor, vagarosamente. Tivera a impressão de ter ouvido dois tiros.
                Ele entrou na sala e ficou tão chocado quanto Sara. Aqueles tubos cheios de órgãos humanos era atemorizante. Por pouco tempo, caminhou pela sala. Viu os dois corpos caídos.
                Ele pegou seu celular e fotografou tudo aquilo. Depois, caminhou até o tubo central e viu o corpo da mãe de Sara.
                "Isso é pior do que eu imaginava. Não sabia que eles eram capazes de tanta atrocidade."
                Após fotografar toda a sala, ele seguiu pelo mesmo caminho que Sara e seu pai, e saiu na rua.
                "Droga. Ela saiu com ele. Temo o que pode acontecer'".
                Resolveu ir para casa. Precisava cuidar do ferimento do seu braço.

                O Comandante Barros  estava na sua sala preocupado. Há dois dias não tinha notícias de Joseph. Sabia apenas que ele investigaria algo na empresa.
                Ele olhava a hora a cada minuto, esperando alguma notícia, sem sucesso. Tentara ligar novamente para ele e novamente a ligação caíra na caixa postal.
                "Droga! Onde ele estará?"
                Dispensara as duas secretárias, que estavam ainda abaladas pela morte do Cabo Silva. Apesar de ser uma sala pequena, sentia-se solitário naquele momento. Acessara os arquivos sobre Sara em seu computador e descobrira uma pasta nova, com diversas informações.
                "Joseph! Sempre com surpresas!".
                Mas antes que pudera acessar qualquer arquivo, entrou em sua sala uma das pessoas que evitara de ver nos últimos dias: a mãe do Cabo Silva.
                Por mais de uma hora e meia escutara o desabafo daquela senhora de mais de sessenta anos, desesperada pela perda do filho. Tentou ser o mais evasivo possível, pois não iria dizer para aquela senhora sôfrega que seu filho, brutalmente assassinado,  era um traidor.
                Quando ela finalmente foi embora, apareceu uma das irmãs adotivas para falar sobre ter encontrado o corpo de Junior, assassinado com uma facada no pescoço. Joseph já havia alertado Barros sobre esse caso.
                Por fim, a viúva do padeiro, que explodira dentro da padaria, pedia Barros para que ele investigasse a causa da explosão.
                Quando finalmente viu-se sozinho, voltou para o computador e finalmente acessou os arquivos. Foi quando descobriu quem realmente era Sara.
                "Então era isso! Joseph tentou nos proteger disso esse tempo todo!"
                Assustado, levantou-se para ir embora. Olhou a hora, era tarde e dificilmente encontraria Sara. Fora para sua casa.

                Joseph entrou no quarto da pensão e quase desmaiou no sofá. Perdera muito sangue. Respirou por alguns minutos e, quando sentiu que estava um pouco melhor, levantou-se, seguiu até o armário do quarto e pegou dois vidros. Um continha um líquido azul. Esse, ele bebeu em um só gole. O outro, com um líquido vermelho, levou para o banheiro.
                Ele retirou a amarra que fizera no braço e entrou debaixo d'água. Deixou a água gelada correr sobre a ferida. Ardia bastante, mas não esboçou nenhuma reação. Desligou a água, secou-se bem e a ferida insistia em vazar sangue. Pegou o líquido vermelho e aplicou-o dos dois lados da ferida. Naquele momento, não aguentara. Soltara um grito de dor. O líquido borbulhava na ferida, como que queimando a mesma. Em minutos o sangue parara de escorrer.
                Exausto, ele pegou uma atadura e enrolou no braço. Vestiu uma roupa qualquer, foi para a cozinha e alimentou-se com tudo que encontrara. Depois, foi para a cama e deitou. Precisava descansar para enfrentar o que viria no dia seguinte.
                "Sara... Onde você está?"



Próximo Capítulo
O passado finalmente revelado. Os segredos da noite sangrenta em Sordes. Os motivos de Sara trazer Joseph de volta para a cidade. O encontro final entre os dois.

Em Breve: Capítulo 10 - Menerima nasib kami karena kami semua bersalah - Aceitemos nosso destino como culpados que somos

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