CAPÍTULO 4
Dari apa yang telah disembunyikan oleh pasir waktu - O QUE FOI OCULTO PELAS AREIAS DO TEMPO
O
relógio marcava 5h da manhã. Joseph escutou o toque do seu celular. Ainda
sonolento, levantou da cama, pegou o aparelho e olhou para o nome que aparecia
ali. Coçou os olhos e atendeu:
-Pois
não, Barros.
-Joseph,
acho melhor você se apressar.
-Barros,
são cinco da manhã. O que você quer comigo a essa hora?
Por
alguns segundos, fez-se silêncio do outro lado da linha. Só então o comandante
teve coragem de falar novamente:
-Joseph,
algo terrível aconteceu.
-Como
assim?
-Silva
bateu com o carro em uma árvore. Houve uma explosão. Ele foi carbonizado.
Joseph
ficou em silêncio por alguns momentos. Barros prosseguiu:
-Mas
tem algo errado aqui, parece que tudo foi armado para isso acontecer. A árvore
parece ter sido derrubada propositalmente. Além disso, temos marcas de dois
carros na estrada. Parece que houve uma perseguição.
Joseph
respirou fundo, ainda estava um pouco sonolento:
-Você
acha que ela...
-Sim,
eu acho. Se ele ligou para informar que sabemos quem ela é, ela pode...
Joseph
pegou seu casaco:
-Me
encontre no centro de operações, Barros. De lá teremos acesso a mais
informações. Agora acalme-se, e não faça nenhuma besteira.
Joseph
trocou de roupas e deixou a pousada. Sentia-se com muito sono, mas nem mesmo um
café poderia tomar, pois a padaria estava fechada.
O
dia ainda não havia nascido quando ele entrou no centro de comandos. Logo em
seguida, Barros chegou, nervoso, preocupado, atordoado:
-Joseph,
como pudemos deixar chegar a isso? Tínhamos que ter evitado esse encontro de
qualquer forma.
Joseph
coçou os olhos, ainda ardendo de sono:
-Barros,
não é assim que funciona. Nós precisávamos que ele passasse a informação para
ela. E ele o fez.
-E
pagou com a própria vida. Agora chega. Vou prender esta mulher como suspeita de
assassinato.
Joseph
respirou fundo e tocou no ombro do amigo:
-Você
sabe que não funciona assim. Além do mais, não conseguirá deixá-la presa por
mais de dois dias, ela vai conseguir um advogado que provará sua inocência e
por fim... você pode pagar com a própria vida.
Barros
estava transtornado, mas Joseph tinha razão:
-Joseph,
temos que parar com essas mortes.
-E
iremos, na hora e no momento certo. Só tenha paciência.
Barros
segurou nos dois ombros de Joseph:
-Então,
por favor, me diga qual o seu plano para prender essa mulher.
Joseph
apontou para as cadeiras:
-Sente
aqui. Preciso te contar umas coisas.
Os
dois sentaram nas cadeiras próximas ao computador. Joseph resolveu revelar seu
passado:
-Barros,
eu quero que você me ouça com atenção, sem me julgar nem entender errado aquilo
que vou revelar. Não sei o que te contaram sobre mim, sobre minhas origens e
patentes, mas uma coisa eu sei: é tudo mentira.
-Como
assim, Joseph?
-Barros,
eu não sou policial, investigador, detetive, nem militar. Eu sou um assassino.
-O
quê?
-Sim,
Barros. Eu faço parte de uma organização secreta, criada há milênios, com o
intuito de fazer o serviço sujo para a sociedade. Sempre que algo está fora de
controle, ou não querem sujar as mãos, os militares nos chamam. Somos nós que
perseguimos e eliminamos os piores dos piores. Nós limpamos a sujeira da
sociedade.
-Não
estou entendendo. Por que você está me contando isso? E por que eu não sabia
disso antes de você chegar?
-Simples,
Barros. Eu precisava de total apoio e confiança de vocês imediato, por isso o
dosiê foi criado. Nossa sociedade atua discretamente, poucos conhecem nossa
existência. E estou te contando porque sei que posso confiar em você. Porém,
ninguém mais pode saber disso. Atuamos nas sombras da sociedade, realizamos
nosso serviço com perfeição. E você deve estar pensando: por que um assassino
foi enviado para solucionar esse caso?
-Era
a pergunta que eu faria nesse momento.
Joseph
deu um leve sorriso:
-Eu
não estou aqui para prender Sara. Eu estou aqui para eliminá-la.
Assustado
com a revelação, Barros ainda tentou falar alguma coisa, mas foi interrompido
por Joseph:
-E
não tente dizer que você não permitirá, pois suas ordens foram para me dar
total apoio na operação e seguir meu comando. Já as minhas ordens são para
eliminar Sara a qualquer custo.
Barros
ficou mais espantado ainda com a última fala de Joseph:
-Mas
qual o interesse dos militares nessa jovem?
-Barros,
ela é uma assassina profissional. Nós, da sociedade, temos regras a seguir, e
temos como controlar um ao outro para que não aconteça de pessoas morrerem sem
motivo. Mas Sara mata indiscriminadamente, sem controle. Por isso fui enviado
para ser a parte que a controla.
Fez-se
um segundo de silêncio. Joseph continuou:
-Mas
agora precisamos resolver outras coisas. Vamos avisar a família do cabo Silva
sobre o ocorrido e providenciar para que o corpo seja sepultado.
Barros
bastou-se em acenar com a cabeça. Estava perplexo. Nos últimos dias trabalhava
sob ordens de um assassino. E isso o assustava.
Sara
amanhecera agitada e ansiosa. Foram muitos os acontecimentos da noite anterior,
e ela não conseguira digerir tudo. Mas precisava trabalhar naquela manhã para
poder manter o disfarce e prosseguir com seu plano. A primeira coisa que
descobrira foi que, uma vez iniciado seu plano, não tinha como voltar atrás.
Ela
entrou no prédio e dirigiu-se para a sala onde trabalhava. José a esperava:
-Como
vai você, Sara?
Ela
estava um pouco abatida, mas não queria demonstrar fraqueza:
-Estou
bem, José. Só um pouco cansada.
José
levantou-se, dirigiu-se até a jovem e a abraçou. Ela, sem saber por quê,
encostou o rosto nos ombros dele e chorou. Chorou amargamente como há muito
tempo não chorava. Ficou assim por alguns minutos, enquanto o seu patrão
acariciava seus cabelos. Quando recompôs-se, pediu desculpas ao homem:
-José,
eu...
-Não
diga nada, pequena. Algumas vezes só precisamos de um abraço e de dispersar as
lágrimas presas. Mas vamos ao trabalho. Deixei uma lista de coisas que preciso
que você realize hoje para mim. Quando acabar, descanse. Creio que você consiga
terminar tudo até a hora do almoço.
José
beijou levemente a testa da menina e partiu.
Sara
trabalhou toda a parte da manhã no escritório, separando papéis e organizando
parte do material de seu chefe. Aquele abraço, espontâneo, mexeu com ela. Pela
primeira vez perguntara-se se estava fazendo a coisa certa. Aquele homem que
ela desprezava conseguiu tocar em um lugar do seu coração que ela achava que
estava morto.
Saiu
do escritório sorridente. Talvez ainda houvesse esperança de uma vida melhor
para ela.
O
destino muitas vezes parece que encarrega-se de formar o caráter das pessoas ou
mesmo de lembrar de seu passado e das coisas ruins que aconteceram. E com Sara,
parecia que o destino resolvera ser sua memória dolorosa e antiga.
Ao
sair do prédio, ela encontrou-se com Júnior, o filho adotivo mais velho de
Eduardo, o homem que abrigara-a na noite da matança.
-Olá,
irmãzinha.
O
sorriso de Sara transformou-se em uma cara de ódio:
-O
que você faz aqui?
-É
assim que cumprimenta o irmão que mais te amou?
Sara
virou em outra direção. Mas Junior segurou-a pelo braço:
-Espere
aí. Ainda estou falando. Quero conversar com você sobre a morte de Eduardo.
Sara
olhou irritada para ele:
-Não
basta ele ter morrido? Ainda quer me atormentar com histórias dele?
-Não,
maninha, não com histórias dele, mas com histórias sobre o veneno que está na
garrafa de vinho que você o presenteou.
Sara
olhou para ele de forma estranha. Como descobrira o que ela fizera? Ele
prosseguiu:
-Venha,
vamos na minha casa para conversarmos. Você vai entender tudo quando chegarmos
lá.
Sara
não intencionava seguir Junior, mas o fez antes que ele fizesse um escândalo e
colocasse todo o plano a perder. Ainda mais, poderia dar continuidade ao seu
plano. Olhou para o céu, parecia que iria chover no final do dia.
Enquanto
caminhava com Junior, um filme passava pela sua cabeça, o filme de sua vida,
algumas das lembranças mais sombrias que perturbavam-na desde a infância.
Na
noite em que seus pais foram assassinados, Sara entrou na casa de Eduardo suja,
com seu vestido rasgado e cheio de lama. Ela chorava desesperada. Eduardo pegou
a menina, deu um banho nela e a enrolou em uma toalha verde. Depois, levou-a
para um quarto onde Junior dormia sozinho. Fora daquele quarto, a casa
comportava outros cômodos que eram divididos para os meninos e para as meninas.
Junior tinha em torno de 16 anos nessa época.
O
menino assustou-se ao ver seu pai entrar no quarto com aquela menina enrolada
numa toalha. Eduardo questionou:
-O
que acha dela, filho? A coitada apareceu aqui, pedindo ajuda. Devemos ficar com
ela? Ao dizer isso, deixou a
toalha da menininha cair, revelando seu corpo nu. Aquela cena despertou algo em
Junior, um desejo louco de tê-la. Se fosse menos moreno, certamente estaria com
a face corada, pois sentira um calor dentro de si. Logo concordou com Eduardo:
-Lógico
que devemos ajudá-la, coitada. Ainda mais que tem uma cama sobrando aqui no meu
quarto.
Eduardo
deixou a menina sobre a cama e pegou uma camisa de Junior para vesti-la:
-Terei
que usar isso nela por hora, as meninas não tem nenhuma roupa que sirvam nela e
não há nenhuma loja aberta.
Junior
assentiu com a cabeça. O que mais queria era aquela menina ali, ao seu lado.
Nos
primeiros dias, a tratou bem, procurando aproximar-se dela e deixando-a sempre
à vontade em seu quarto. E assim foi por um tempo. Sara, ainda inocente e
perdida diante de nova realidade de vida, não importava-se em trocar de roupas
na frente de Junior, e ele fazia questão do mesmo. O quarto do rapaz tinha um
banheiro próprio, o que dava independência para os dois.
Junior
passou dias lutando contra a loucura que invadia seu ser. Tentou conversar com
seu pai, mas não conseguia, pois Eduardo colocava as crianças na casa e não
importava-se com elas. Nunca fora realmente pai, somente um homem que acumulava
crianças. Se não agisse assim, as coisas poderiam ter tido outro rumo.
Uma
noite, dois meses depois que Sara chegara na casa, Junior não conseguiu mais
segurar aquele desejo louco. Ele fizera exercícios, tentara não pensar na
menina, leu um livro, tomou um banho frio, assistiu dois filmes na sala. Quando
o segundo filme acabou, todos na casa dormiam.
Era
uma noite quente e uma chuva caía na cidade.
Junior
entrou no quarto e seus olhos fitaram a
menina que dormia apenas vestindo uma camisola transparente. Ele trancou a
porta e ficaram à luz de um abajur. Ele deitou ao lado da menina, acariciou os
cabelos dela e ela despertou:
-Junior?
O
menino fez um sinal de silêncio com o dedo:
-Shhh.
Fale baixo.
-O
que você está fazendo aqui? Sua cama é a outra...
-Hoje
vou fazer um carinho em você. Só não pode contar para ninguém o que vai
acontecer aqui.
Mesmo
que quisesse, não tinha como fugir do rapaz. Ele foi acariciando o corpo dela
até retirar toda a sua roupa. Enquanto ela olhava para a janela e via a chuva
caindo, ele realizava nela os seus desejos mais intensos.
Aquele
prazer proibido transformara-se em desespero quando o ato acabou. Por fim,
descansara alguns minutos e levara a menina para o banho. Lavou-a, enxugou-a e,
após trocar os lençóis, devolveu-a para a cama. A menina sentia-se envergonhada
e dolorida. Junior deu dois comprimidos para ela e disse:
-Nunca
ninguém pode saber disso, senão você é expulsa dessa casa.
Ainda
com lágrimas no rosto, ela concordou. Ele tocou delicadamente no rosto da
menina e beijou-a nos lábios:
-Não
fique assim, você é uma menina muito especial. E o que você fez só prova o
quanto eu gosto de você e você de mim.
Mas
ela o odiava. Um ódio que cresceria durante toda a sua vida.
Sara caminhou ao lado de Junior até a antiga
casa de Eduardo. Ao entrarem, seguiram para o quarto que dividiram por anos.
Ainda estava da mesma forma, cada detalhe, cada doloroso detalhe para Sara. Ela
sentou na antiga cama:
-O
que você quer, Junior?
Junior
sorriu. Caminhou pelo quarto falando:
-Eduardo
precisou morrer para que eu conseguisse algo contra você. Ainda não entendi po
que você o matou, mas descobri que foi você
Sara
tentou desconversar:
-Não
sei o que você está falando.
Junior
segurou-a pelos ombros:
-Sua
tola, a pessoa que te vendeu aquele veneno me deve favores. Foi só citar seu
nome e ele me contou tudo. Bom, acho que com isso eu posso até mandar te
prender... Ou...
Sara
temia o que iria ouvir:
-Ou
o quê, Junior?
Junior
aproximou-se dela e sussurrou em seu ouvido:
-Ou
podemos esquecer de tudo e em troca você e eu nos divertirmos como fazíamos
quando você chegou aqui.
Diversão.
Era a palavra que ele sussurrava nos ouvidos dela todas as noites desde a
primeira vez que a forçou a manter relações com ele. Era tarde para Sara voltar
atrás, e algo em Junior a atemorizava. Ele era capaz de conseguir o que
quisesse dela, pois ela o temia. Talvez ele soubesse disso, e aproveitasse para
obrigá-la a realizar seus desejos.
Temerosa,
parecendo a mesma menina assustada que chegara na casa, deitou-se na cama.
Estava paralisada, à mercê de Junior. Ele tocou-a e despiu-a cuidadosamente,
acariciando e beijando cada parte desprotegida de seu corpo. Aproveitou-se
daqueles momentos e satisfez todos os seus desejos. Depois, sussurrou no ouvido
dela:
-Vá
tomar seu banho.
Sara
parecia hipnotizada. Ela entrou no banheiro, trancou a porta e abriu o
chuveiro. Deixou a água fria cair sobre seu corpo. Sempre pensou que aquela
água purificaria seu corpo, enquanto as lágrimas que corriam purificaria sua
mente. Fazia isso desde que era uma garotinha apenas.
Sua
mente insistia em relembrar o passado, tudo que sofrera naquela casa com
Junior. Lembrou-se até do dia em que teve coragem de contar à Eduardo, que
respondera que não era responsável por nada que acontecesse no quarto dela e
Junior.
A
água fria continuava caindo sobre seu corpo. Aquelas lembranças a atormentaram
por mais alguns minutos. Mas uma voz resolveu falar ao seu inconsciente:
-Lembre-se
de quem você é agora. Não precisa mais ser atormentada por tudo isso, nem mesmo
aceitar que tudo se repita. Você é dona de seu destino agora, você decide quem
interfere ou não na sua vida.
Ela
ergueu a cabeça. A face que expressava a menina triste transformara-se em um
semblante sério, sombrio, frio, a face de uma assassina.
Ela
saiu do banho, secou seu corpo e deixou o banheiro completamente nua. Caminhou
pelo quarto, olhou para as duas camas e para uma mesinha que ficava embaixo da
única janela. Olhou para Junior, que olhava para ela desfilando pelo quarto:
-Junior,
o quarto continua igual a quando deixei a casa?
Ele
sorriu:
-Sim,
por quê?
-Até
os objetos?
-Sim,
não retirei nada daqui, só minhas roupas.
Ela
sorriu, de canto de boca:
-É
o que eu queria saber.
Ela
aproximou-se da mesinha, abriu a gaveta e abaixou.
Como
ela esperava, Junior levantou e a abraçou por trás, na esperança de continuar
aproveitando-se de seu corpo. Ele esfregou-se nela, já excitado com o momento:
-Sabe
de uma coisa, Sara? Você ainda me mata um dia...
Sara
sorriu maldosamente:
-Exatamente
isso que farei agora.
Ela
virou e, diante dos olhos assustados de Junior, fincou uma faca no pescoço
dele. Ele caiu, ainda com um último suspiro de vida. Tentou pronunciar alguma
coisa, mas as palavras não saíram.
Sara
aproximou-se dele:
-Lembrei-me
da faca que guardei aqui há alguns anos. Tenha uma morte dolorida e sofrida,
seu desgraçado.
Ele
olhou desesperado para ela e deu um último suspiro.
Calmamente,
Sara vestiu-se. Depois, penteou os cabelos, foi até o corpo inerte e retirou a
faca. Enrolou-a cuidadosamente em uma camisa de Junior que estava sobre a mesa e
colocou-a em sua bolsa. Seguiu até o corpo e olhou para ele mais uma vez. Disse
em voz baixa no ouvido do morto:
-Adeus,
imbecil. Se pudesse, eu o faria viver de novo só para ter o prazer de te matar
novamente.
Levantou
e saiu do quarto sorrindo. Ao bater a porta, disse para si mesma:
-Acho
que preciso de uma folga.
Próximo Capítulo
As origens de Joseph
como um assassino serão reveladas. Sara tira um dia de folga e retorna ao lugar
onde aprendeu tudo sobre ser uma assassina.
Em breve: Capítulo 5:
Tanda dari masa lalu - AS MARCAS DO PASSADO
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