sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Perseguição - Capítulo 10

CAPÍTULO 10
Menerima nasib kami karena kami semua bersalah - ACEITEMOS NOSSO DESTINO COMO CULPADOS QUE SOMOS

                Amanheceu em Sordes. Amanheceu o dia que Joseph tanto chamou de o dia final.
                Joseph abriu seus olhos e viu a claridade refletindo na janela do quarto onde abrigara-se. Olhou o relógio. Marcava 5:45h.
                "Droga! Dormi mais que imaginei!"
                Ele levantou-se, ligou um notebook e passou as fotos do celular para um pendrive. Junto, colocou alguns arquivos. Tirou o pendrive, desligou o computador e foi ao banheiro.
                No espelho, viu que a ferida estava secando. Aplicou um pouco mais do líquido vermelho, enfaixou novamente o braço e saiu. Entrou em um taxi e foi até a casa do comandante Barros.
                Joseph bateu na porta e logo foi atendido pelo comandante:
                -Joseph!? Onde você estava? E o que faz aqui a esta hora?
                Joseph coçou os olhos. Ainda estava cansado:
                -Desculpe-me, Barros. Tive alguns contratempos.
                Joseph entregou um envelope para o comandante:
                -Aqui. Pegue isso. Você tem em mãos agora o caso da empresa Mr Connes. Analise cada arquivo, cada foto, e investigue. Você ficará assustado com o que descobrirá.
                -A empresa? A empresa do pai de Sara?
                Joseph concordou com a cabeça. Tocou o ombro do amigo e prosseguiu:
                -Barros, hoje é o dia final. Hoje tudo será resolvido. Mas preciso que você me prometa que não irá interferir em nada que farei.
                -Não estou entendendo, Joseph.
                -Eu recebi uma missão. E irei cumpri-la hoje. E não há nada nessa cidade que me impedirá de fazer isso. Só me prometa que você ficará longe de tudo isso, só por hoje.
                -Longe desse caso? Agora que sei quem Sara é?
                -Agora que você sabe quem todos acham que ela é. Barros, só não fique no meu caminho... Para sua própria segurança.
                Joseph virou-se e partiu. Caminhou de volta para seu quarto na pensão.

                Sara estava irritada. Descobrira que seu pai estava vivo e que sua mãe estava dentro de um tubo, morta mas conservada. Irritada com isso, ela saiu do prédio com o pai e levou-o para o quarto de hotel que estivera hospedada na noite anterior.
                Ao chegarem, ela amarrou-o em uma cadeira. Ele tentou argumentar:
                -Por favor, Sara. Me deixe sair daqui. Sou eu, seu pai.
                Sara não resistiu e acertou um soco na face dele:
                -Cale essa boca. Pai? Você? O homem que mentiu para mim por dez anos? O homem que dizia fazer tudo por mim e que escondeu-se por dez anos? O homem responsável pela morte da minha mãe?
                Ele tentou falar algo, mas Sara o acertou com outro soco e decidiu-se calar.
                Naquela tarde e noite, Sara nada fez. Ficou deitada em sua cama, pensando.
                Amanheceu. Ela levantou e caminhou por horas pela casa. Num momento, parou e parecia  decidida.
                Ela abriu o armário e pegou uma mochila. Dentro dela, trazia alguns objetos que pegara na casa de seu antigo Mestre. Pegou alguns palitos de bambu com pontas, um ferro parecido com ferro de solda e um vidro com um líquido amarelo.
                O Sr Connes olhava preocupado para Sara. Resolveu arriscar:
                -Filha, o que vai fazer?
                Sara olhou para ele e o ódio refletia um brilho negro em seus olhos:
                -Vou fazer você falar.
                Ela ligou o ferro na tomada. Enquanto esquentava, ela pegou a mão amarrada de seu pai e fincou um dos palitos de bambu embaixo de uma das unhas. O sr. Connes soltou um grito de dor desesperado:
                -Aaaai! O que é isso?
                Sara pegou o líquido amarelo com um conta-gotas e deixou umas gotinhas cair no rosto dele. No mesmo momento, a pele começou a arder e a formar uma espécie de ferida.:
                -Pare com isso, Sara, por favor!
                -Então me fale. Toda a verdade.
                Seus olhos lacrimejavam por conta da dor. Ele concordou com a cabeça:
                -Eu tinha feito um contrato com uns amigos do exterior para desenvolver a pesquisa com órgãos humanos. Mas não conseguia órgãos reais que pudessem ser usados. Por meses tentei segurar a pressão que eu sofria dos contratantes, mas sem sucesso. Então eles me deram um ultimato: ou eu conseguia órgãos humanos e começava a pesquisa ou eles matariam você e sua mãe. Foi quando um outro grupo me fez a proposta da noite sangrenta. Faríamos uma festa e simularíamos um massacre. Assim, retiraríamos todos os órgãos, eu conseguiria minha pesquisa e o grupo venderia alguns desses órgãos como pagamento pelo serviço.
                Sara estava horrorizada:
                -Você mandou matar para abastecer um tráfico de órgãos e conseguir uma pesquisa?
                -Ah, filha, era muito dinheiro e...
                Sara pegou o ferro que estava quente e fez uma queimadura no braço dele:
                -AAAAAiiiii! Por favor! Pare com isso!
                O ódio nos olhos de Sara crescia. Ela pegou uma arma:
                -Você é um monstro. Sacrificou pessoas por dinheiro.
                -Não, filha! Fiz por você!
                Ela acertou o ferro quente em um dos olhos do homem:
                -Não, seu monstro. Você fez por você.
                O sr.Connes sofrera uma dor imensa naquele momento. O ferro perfurara seu olho, sentia uma dor tão imensa que pensou que desmaiaria.
                Sara olhou a hora. Era 12h. Olhou para o homem:
                -Você tem direito a uma última refeição. O que quer comer?
                A dor era tanta que o Sr. Connes não conseguia nem pensar. Fez um sinal para ela.
                Sara aproximou-se dele:
                -Bem, se é assim, você vai morrer sem ter comido nada.
                Ela abriu a porta e antes de sair, disse:
                -Não tente sair daqui. Não queremos problemas.

                O Comandante Barros estava sem saber como agir. Joseph entregara um dossiê completo para ele, tão assustador e tão surreal que não sabia se divulgaria algo para seus superiores.
                "Nunca poderia pensar que a Mr Connes era apenas uma fachada para recepção e tráfico de órgãos humanos".
                Ele nunca esquecera do poderoso sr. Connes. Quando iniciava sua carreira como policial, visitara a empresa para uma palestra. Escutara a história do homem pobre que vencera e ganhara o mundo, com diversas filiais de sua empresa e com milhares de funcionários. Lembrava das palavras que soavam tão puras e sinceras que emocionaram a todos. Era um homem enigmático, quase nunca era visto, mas nunca escondera quem era. Pelo menos era o que ele achava.
                Algumas coisas intrigavam Barros. Uma delas era o motivo de Joseph esperar especificamente aquele dia.
                "Por que hoje?"
                Barros caminhou e pegou um calendário. Ao ver a data, pensou:
                "O último dia da festa..."
                Como num estalo, veio à mente dele o motivo:
                -Último dia da festa! O dia em que lembra-se o dia sangrento de Sordes. E hoje... Exatamente hoje, completa-se 10 anos da tragédia!
                Continuou a acessar os arquivos. Foi quando descobriu um deles detalhando o dia sangrento e outro detalhando como o Sr.Connes sobreviveria:
                -Não acredito! Eles planejaram o dia sangrento!
                Ficou paralisado ao ver um último arquivo, dizendo:
                -O Sr. Connes está vivo!?
                Levantou-se, pegou suas armas, as chaves do carro e saiu.
                "Desculpe-me, Joseph. Mas preciso saber melhor o que aconteceu".

                Joseph entrou no quarto da pensão. Abriu o armário e pegou as duas espadas. Depois, pegou uma mala, abriu-a e separou algumas facas e uma arma de fogo que deixava sempre carregada.
                Arrumou metodicamente todas as armas sobre a cama. Olhou-as e sorriu.
                De volta ao armário, escolheu uma calça jeans e uma camiseta preta. Tomou um demorado banho frio e vestiu a roupa escolhida. Trocou o curativo, colocando mais um pouco do líquido no machucado, enfaixou-o novamente e voltou para a sala.
                Dentro da mala, pegou uma foto que estava em uma moldura dourada. Era a foto de seu pai.  Colocou-a em pé e ajoelhou-se, como quem reverencia seu mestre. Seguindo a tradição da ordem, recitaria o juramento, o mantra sagrado da ordem. Como era um momento decisivo, recitou-o em sua língua nativa:
                -Marcados pela vida, Vida que manipulamos com mãos impuras. Sejamos juízes e executores do que foi oculto pelas areias do tempo. As marcas do passado reflitam o brilho de nossa justiça. O túmulo de nossos pais seja a força que nos conduz.  Frente à face da morte, aceitemos nosso destino como culpados que somos.
                Calmamente recitou-o. Aquelas palavras, tão singelas, tão sutis e tão verdadeiras, sempre fortaleciam-no, sempre impulsionavam-no para seguir em frente e realizar suas tarefas.
                Levantou-se, guardou suas roupas, sua foto e fechou as malas. Deixou-as sobre a cama com um bilhete.
                Joseph pegou cada arma com carinho. Posicionou-as em seu corpo, distribuindo sempre da mesma forma, facas nas pernas, arma de fogo na cintura e as espadas nas costas.
                Por fim, pegou um casaco marrom de couro e pôs sobre o corpo. Olhou para o quarto e sorriu.
                "Chegou a hora".
                Bateu a porta e saiu para finalizar sua missão.

                O Sr.Connes sofria com a tortura que Sara o submetera. Pensara em meios de fugir, mas estava bem amarrado.
                "Por fim, devo merecer isso. Sou mesmo culpado pelo que ela tornou-se".
                Sacudiu a cadeira e caiu. Não conseguia mais se mover.
                Minutos depois, Sara entrou no quarto do hotel. Ela riu ao ver o homem caído:
                -Oras, vejam só. Acho que você não entendeu. Você não vai sair vivo desse dia. Por falar nisso, só para te lembrar, hoje completam-se dez anos que você assassinou minha mãe e acabou com minha vida.
                O homem nada respondeu. Não tinha o que falar.
                Ela pegou algumas armas e guardou-as no seu corpo.
                Sara pegou a cadeira e levantou o homem. Amarrou uma corda em seu pescoço e em suas pernas. Desamarrou-o da cadeira e refez a amarração. Poderia carregá-lo como quem sai com um cachorro para o passeio.
                -Vamos. Está na hora de você voltar para onde estava na minha vida: morto e enterrado.
                Ela jogou uma capa na cabeça dele para ninguém ver o olho queimado nem o rosto do homem e saíram do hotel.
                Não foi difícil andar pela cidade com aquele homem amarrado, pois no último dia da festa as pessoas protestavam andando pelas ruas representando os mortos daquela noite sangrenta.
                Sara levou seu pai para a floresta onde naquela noite, dez anos atrás, sua mãe morrera defendendo-a. Ela fez o caminho calmamente, silenciosamente, relembrando cada passo daquela noite.
                O sr. Connes era arrastado por aquele caminho, pois não estava aguentando caminnhar com tanta dor. Um olho queimado, um palito de bambu fincado embaixo de sua unha e feridas que ardiam em seu rosto. Desejava a morte. Naquele momento, achava que morrer era melhor que passar por aquilo tudo. Nada poderia ser pior. Mero engano.
                Sara carregou o homem até uma árvore. Exatamente a árvore que ela olhara na hora que o homem matou sua mãe. Naquela árvore, ela amarrou o pai. Ali ela começou um duro discurso:
                -Foi aqui, pai. Foi aqui que o assassino friamente fincou uma espada na minha mãe. E sabe o que ela estava fazendo? Me defendendo. Enquanto você fingia estar morto. Enquanto você massacrava seus funcionários em troca de dinheiro.
                Ela caminhou em volta dele. Foi entornando um líquido vermelho, formando um círculo. Quando chegou na frente dele, continuou o discurso:
                -Eu te admirava, pai. Eu achava você o maior de todos. Durante todos esses anos, eu busquei duas coisas: vingar-me de quem me fez mal e vingar a morte de vocês. Nunca esperei descobrir que você fosse o responsável por tudo isso.
                Ela pegou uns galhos no meio da mata e foi fincando-os em volta do círculo. Seu discurso prosseguia:
                -Eu te amava, pai, eu te idealizava. Nunca esperei isso de você. Está na hora de você voltar a ser só uma lembrança. Está na hora de você ser de novo o pai morto que fazia tudo pelo povo.
                Ela distribuiu um grão branco em volta do círculo. Parou novamente em frente ao homem.
                O Sr. Connes olhou para ela, e pronunciou:
                -Por favor, me perdoe, filha.
                Lágrimas caíram dos olhos de Sara:
                -Não posso. Você me tornou a assassina fria que sou. Você é um dos responsáveis pelo meu sofrimento. Você é o culpado de toda a dor que sinto aqui dentro. Assim como os outros, não há perdão para você.
                Ela foi até uma pedra grande e retirou-a do lugar. Embaixo, estava um livro e uma vela. Ela pegou um isqueiro no bolso e acendeu a vela. Aproximou-se novamente do Sr.Connes e beijou-o levemente nos lábios:
                -Esse foi o último carinho que você receberá.
                Ela pegou o frasco com o líquido amarelo e terminou de derramá-lo sobre o homem. colocou a vela no chão, sentou-se frente ao homem e abriu o livro. Leu em voz alta as seguintes palavras:
                -Que a chama da justiça, pautada em nossas leis, arda em seu corpo e alma, devolvendo-te a dor que um dia causaste. A escuridão que se achega julgue-te culpado e em trevas e terror persista eternamente a tua alma. Julgue a morte o começo de uma eternidade de dor, a justiça de outra vida achega-se a ti por minhas mãos, que purificam-se com o odor do teu repugnante corpo que queima.
                Dito isso, pegou a vela e pôs a chama no líquido amarelo. Logo, um círculo de fogo formou-se e foi consumindo os gravetos. Em segundos, o homem gritava de dor em meio às chamas.
                Sara ficou de pé e lembrou-se de sua história. Lembrou-se de como era uma criança feliz, que vivia uma vida boa, até aquele dia. O dia que a festa de seu pai foi invadida por homens que ele mesmo contratou para matar a todos. Lembrou-se da fuga desesperada junto a sua mãe e de como ela morrera protegendo-a do assassino. Lembrou-se do sangue do assassino respingando em seu corpo  quando Joseph o matou. Lembrou-se da sua fuga, de como fugiu de um policial e de como chegou na casa de Eduardo. Lembrou-se de cada um momento sofrido naquela casa, lembrou-se de como treinou com o Mestre e da sensação de matar pela primeira vez. Lembrou de todos que eliminou, todos que a prejudicaram. E agora estava ali, acabando com a vida do homem responsável por tudo aquilo. O seu próprio pai, o homem que mentiu a vida inteira.
                Ela caiu ajoelhada, chorando copiosamente. A vida não era justa. Tanto sofrimento para descobrir que seu próprio pai era o mandante de tudo.
                O sr.Connes gritava desesperado, em meio às chamas. Sabia que era seu fim, e implorava por morrer logo.
                Sara escutou um barulho e sentiu algo passar por cima dela em alta velocidade. Ela levantou  a cabeça e olhou para trás. Joseph estava de pé, com uma capa parecida com a que usava naquela noite dez anos atrás, empunhando uma arma. Olhou para o seu pai, que calara-se.
                Joseph atirara e acabara com o sofrimento do homem, acertando uma bala em sua cabeça.
                Sara levantou-se furiosa:
                -O que você está fazendo aqui? Quem lhe deu o direito de matá-lo?
                Joseph olhou seriamente para ela:
                -O ritual da execução, realizado somente nos piores dos piores. Seu ódio cresceu bastante.  Vejo que descobriu parte da verdade. Eu só aliviei um pouco a pena.
                -Parte?
                -Sim. Falta você descobrir o meu envolvimento dentro disso tudo.
                -Você foi o contratado pelo meu pai. Você encabeçou o massacre.
                Joseph deu alguns passos:
                -Antes fosse tão simples.
                Joseph se aproximou. Sara já sentia-se acuada. Ele olhou sério para ela, enquanto o corpo já sem vida do homem queimava naquele estranho ritual:
                -Acho que você precisa saber a verdade, ainda mais que tudo acaba hoje. Não fui contratado pelo seu pai. Fui enviado pela sua mãe.
                -Minha mãe?
                Ele assentiu com a cabeça:
                -Sim. Sua mãe. Que mulher fantástica. Se não fosse a ganância do seu pai, ela estaria viva ainda. Um dia ela me procurou e implorou que eu estivesse aqui por ocasião daquele aniversário. Ela temia por uma coisa: a sua vida, Sara. Ela escutou uma conversa do seu pai onde um homem dizia que se ele não pagasse a dívida que você e ela morreriam.
                -O quê?
                -Sim. Ela me contratou para te proteger. Sei que os arquivos do Mestre diziam que minha missão foi para matar seu pai, mas sei também que nenhum detalhe foi revelado. Foi uma missão diferente. Fiz pela sua mãe, uma mulher que eu conheci chorando desesperadamente e temendo a vida da filha. Os outros homens? Os que mataram as pessoas? Eram simplesmente aqueles que matamos no andar secreto da empresa.
                Sara não esperava isso. Essa revelação mudaria a última parte de seu plano:
                -Joseph, por anos eu te admirei. Quis ser como você. Mas quando descobri o arquivo, quis te destruir, e armei tudo isso com o intuito de matar o mandante dos assassinatos. E eu achei que era você.
                Joseph gargalhou:
                -Tola! Procurou a verdade e encontrou uma história que você supôs ser real. Mas não se preocupe. Como já te falei, hoje é o dia final, o dia onde descobriremos quem é o melhor assassino. Eu estou aqui para uma única coisa, Sara: eliminar você.
                Sara olhou um pouco assustada e um pouco furiosa.
                Joseph apontou  a arma para ela:
                -Aceite seu destino, como culpada que você é.
                Sara olhou para aquela cena. O mesmo homem que a salvara agora apontava uma arma para ela. Não pretendia morrer ali, queria acabar com tudo na esperança de finalmente ter uma vida normal. Antes que ele atirasse, ela pulou atrás de uma moita, onde pegou a sua arma.
                Joseph atirou. A bala acertou o chão perto de Sara. Ela respondeu com um tiro, mas sem sucesso.
                Ele atirou na mata e por milímetros não a acertou. Tentou atira de novo, mas a arma falhou. As balas haviam acabado:
                -Droga!
                Sara aproveitou-se do momento e levantou-se. Ela atirou em Joseph, mas ele já estava correndo.
                O fogo ainda queimava. Sara estava em meio a um turbilhão de sentimentos, mas não podia deixar que Joseph a pegasse. Decidiu segui-lo e acabar com tudo de uma vez.
                Joseph corria sem preocupar-se com Sara, sem olhar para ela . Parecia certo de onde queria chegar.
                Sara perseguia-o como podia, preocupada em onde iriam parar.
                Joseph correu e fez Sara segui-lo até a casa que pertencera ao Mestre, o homem que treinara Sara. Atrás da casa, havia um depósito. Joseph abriu a única porta e entrou.
                Sara ficou preocupada. Dentro do depósito havia várias armas. Ela tinha que ser objetiva ou pereceria nas mãos de Joseph.
                Com cuidado, ela abriu a porta e entrou estava tudo escuro.
                A porta atrás dela bateu. Ela tentou abrir, mas a mesma fora trancada pelo lado de fora. Ela pegou a arma e preparou-se para atirar. Escutou a voz de Joseph:
                -Se eu fosse você, não faria isso.
                Uma luz acendeu sobre ela. Estava presa dentro de uma sala que parecia revestida com metal.
                -Joseph! Seu desgraçado!

                O comandante Barros correu até a central de comandos. Ele imprimiu todos os arquivos sobre a empresa e enviou para seus superiores. Na mesma hora, ele recebeu um telefonema avisando que um comboio chegaria na empresa e que pegariam os responsáveis. Barros recebera ainda um elogio do seu chefe por seus serviços prestados e escutou que seria promovido por conta do que descobriu.
                Mas ele não parecia estar preocupado com isso. Ele queria era solucionar tudo.
                Barros fez diversas ligações para Joseph, sem sucesso. Estava preocupado com o que aquele que nos últimos dias tornara-se seu amigo e que desvendara tantas coisas iria fazer.
                "Não faça nenhuma tolice!"
                No meio da tarde, recebera uma ligação que avisava de uma espécie de foco de incêndio que estava acontecendo na floresta. Pegou o seu carro e foi para o local.
                Ao chegar, não haviam mais chamas. Apenas um corpo carbonizado. Ele levantou o que restou do braço e viu uma pulseira dourada, que retirou antes que outross chegassem. Sabia quem era aquele homem:
                -Sr. Connes. Agora realmente está morto.
                Barros conhecia a pulseira, pois sua mãe trabalhara em uma fábrica de jóias, e fabricara aquela pulseira específica para o Sr. Connes.
                Quando os bombeiros chegaram, nada disse. Conversaram um pouco e disse esperar o relatório sobre o corpo.
                Barros tentara o telefone de novo. Joseph não atendia.
                Ele sentou no banco do carro e ali permaneceu por algum tempo. Enquanto escutava o relatório do responsável, escutaram um grande estrondo e viram uma explosão na direção da antiga casa da floresta.

                Sara estava nervosa. Batia nas quatro paredes cobertas de metal. Em vão. Pensou em atirar, mas não seria prudente. A bala poderia ricochetear e acertá-la.
                -Eu vou te matar, Joseph!
                De algum lugar, Joseph respondeu:
                -Não, Sara. Você acaba de cair na minha armadilha. Agora vai  me ouvir.
                O metal na frente de Sara brilhou. A luz apagou-se e uma projeção iniciou:
                -Sara. A menina que sobreviveu à noite sangrenta. A filha de uma mulher determinada. Uma simples assassina.
                Sara começou a identificar a imagem que formava-se nas paredes. Eram fotos, todas de homens. Todas das pessoas que morreram desde que seu plano iniciou-se. Joseph prosseguiu:
                -Foram cinco mortes só para chamar minha atenção. Depois, o homem que te criou, tão culpado quanto os outros. Aí veio o Silva...
                -Eu não matei o Silva. Eu até...
                -Você gostava dele. Eu sei. E ele era um traidor. Tudo que acontecia na central ele passava pra você. Pois é, Sara, nessas horas que descobrimos os verdadeiros assassinos. Eu tive que eliminá-lo. Não podia ter um traidor na equipe. Além do mais, ele era um inútil.
                Sara ficou assustada revoltada:
                -Você matou o Silva!? Seu desgraçado! Vou acabar com você! Queria um motivo para justificar sua morte e acabo de conseguir.
                Joseph soltou uma gargalhada:
                -Pena que tarde demais. Mas prossigamos. Aí veio a morte de Junior, o que era o filho preferido de Eduardo. Esse deu trabalho para encobrir. Não queríamos um alarde por causa de um homem que abusou de você.
                -Como você sabe disso?
                Joseph falou num tom sério:
                -Estava investigando seu passado. Se você não o matasse, eu o faria. Ah, um detalhe. Foi muito útil para mim a explosão da padaria. Pude investigar a empresa sem sua presença. Pena que para isso tive que explodir a padaria. Gostava do café que era servido lá.
                -Você!? Seu...
                -Não fale nada. Afinal de contas, se eu não fizesse José tomar um medicamento tão pesado, ele não estaria naquela situação e não revelaria a verdade para você.
                Sara ficou ainda mais assustada:
                -Do que você é capaz?
                -Sou capaz de resolver todos os meus casos. Não fale nada. Eu permiti que você acabasse com o responsável pela morte de sua mãe.
                Sara não sabia o que fazer nem gostava do rumo que a conversa tomava.
                Joseph desligou o projetor e acendeu de novo a luz. Deixou sair um suspiro:
                -Ah, Sara. A menina que prometi salvar. O que você se tornou? O que a vida fez de você? É uma pena que tudo tenha que terminar assim. É uma pena que essa seja a minha missão.
                A parede em frente a Sara abriu-se lateralmente. Do outro lado, uma luzmuito forte e na frente, a silhueta de Joseph, com as duas espadas nas mãos.
                -Ah, Sara. Esse é o fim. E o fim termina com a conclusão de minha missão. E minha missão é acabar com você.
                Sara pegou a arma e apontou. Mas era tarde demais. Ela sentiu algo acertá-la, tão rápido que não conseguiu ver o que era. Um calor percorreu seu corpo. Tentou se mexer, mas seu corpo não respondia. A Imagem de Joseph foi ficando embaçada em sua frente. Depois, veio só a escuridão.

                Barros e uma equipe seguiram em direção da explosão. De carro, levaram poucos minutos. Olharam um depósito pegando fogo e viram, andando em sua direção, Joseph.
                O comandante desceu do carro e correu em direção do amigo:
                -Joseph! O que houve?
                Joseph sorriu para ele:
                -Acabou, Barros. Aconteceu o fim de tudo.
                Barros sentiu um arrepio por causa daquela frieza:
                -E Sara...
                -Seu corpo explodiu junto com aquele depósito em chamas. Por favor, se encontrarem os restos mortais, coloquem em um caixão e enterrem em uma tumba não identificada.
                -Mas ela é filha...
                -Sim, eu sei. Pelo menos é o que ela achava. Na verdade, a Sara que era filha do Sr. Connes não está aqui.
                -O quê? Então quem era ela?
                Joseph olhou para o amigo:
                -Acho que nunca saberemos. Talvez alguém que quis esconder a própria história vivendo a história de outra pessoa.
                Joseph viu um carro preto parar perto de onde eles estavam. Dentro, Rocha buzinou. Joseph fez um sinal para ele e disse para Barros:
                -Amigo, chegou a hora de partir. Sei que pareço um ser frio, mas simplesmente estou cumprindo meu dever. Se precisar de mim, basta me ligar.
                -Antes de ir, me responda só uma coisa: o corpo  que encontramos queimando na floresta...
                -O sr. Connes.
                -E por que não a impediu?
                -Como te disse, existem coisas que nunca saberemos.
                Joseph entrou no carro e acenou para Barros. Apertou a mão de Rocha e disse:
                -Vamos, Rocha. Meu trabalho está concluído.
                Ele seguiu a viagem olhando pela janela. Deixou cair uma lágrima. Uma dolorida lágrima por tudo que vivera nos últimos dias e por tudo que fora obrigado a fazer naquela pequena e triste cidade que vivera momentos de terror por causa de uma menina, uma sobrevivente do dia sangrento de Sordes, que era lembrado pelos dez anos de acontecimento.

Não perca
Os rumos que Joseph tomará depois de tudo que passou Sordes.

Em Breve: Epílogo

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