CAPÍTULO 10
Menerima nasib kami karena kami semua bersalah - ACEITEMOS NOSSO
DESTINO COMO CULPADOS QUE SOMOS
Amanheceu
em Sordes. Amanheceu o dia que Joseph tanto chamou de o dia final.
Joseph
abriu seus olhos e viu a claridade refletindo na janela do quarto onde
abrigara-se. Olhou o relógio. Marcava 5:45h.
"Droga!
Dormi mais que imaginei!"
Ele
levantou-se, ligou um notebook e passou as fotos do celular para um pendrive.
Junto, colocou alguns arquivos. Tirou o pendrive, desligou o computador e foi
ao banheiro.
No
espelho, viu que a ferida estava secando. Aplicou um pouco mais do líquido
vermelho, enfaixou novamente o braço e saiu. Entrou em um taxi e foi até a casa
do comandante Barros.
Joseph
bateu na porta e logo foi atendido pelo comandante:
-Joseph!?
Onde você estava? E o que faz aqui a esta hora?
Joseph
coçou os olhos. Ainda estava cansado:
-Desculpe-me,
Barros. Tive alguns contratempos.
Joseph
entregou um envelope para o comandante:
-Aqui.
Pegue isso. Você tem em mãos agora o caso da empresa Mr Connes. Analise cada
arquivo, cada foto, e investigue. Você ficará assustado com o que descobrirá.
-A
empresa? A empresa do pai de Sara?
Joseph
concordou com a cabeça. Tocou o ombro do amigo e prosseguiu:
-Barros,
hoje é o dia final. Hoje tudo será resolvido. Mas preciso que você me prometa
que não irá interferir em nada que farei.
-Não
estou entendendo, Joseph.
-Eu
recebi uma missão. E irei cumpri-la hoje. E não há nada nessa cidade que me impedirá
de fazer isso. Só me prometa que você ficará longe de tudo isso, só por hoje.
-Longe
desse caso? Agora que sei quem Sara é?
-Agora
que você sabe quem todos acham que ela é. Barros, só não fique no meu
caminho... Para sua própria segurança.
Joseph
virou-se e partiu. Caminhou de volta para seu quarto na pensão.
Sara
estava irritada. Descobrira que seu pai estava vivo e que sua mãe estava dentro
de um tubo, morta mas conservada. Irritada com isso, ela saiu do prédio com o
pai e levou-o para o quarto de hotel que estivera hospedada na noite anterior.
Ao
chegarem, ela amarrou-o em uma cadeira. Ele tentou argumentar:
-Por
favor, Sara. Me deixe sair daqui. Sou eu, seu pai.
Sara
não resistiu e acertou um soco na face dele:
-Cale
essa boca. Pai? Você? O homem que mentiu para mim por dez anos? O homem que
dizia fazer tudo por mim e que escondeu-se por dez anos? O homem responsável
pela morte da minha mãe?
Ele
tentou falar algo, mas Sara o acertou com outro soco e decidiu-se calar.
Naquela
tarde e noite, Sara nada fez. Ficou deitada em sua cama, pensando.
Amanheceu.
Ela levantou e caminhou por horas pela casa. Num momento, parou e parecia decidida.
Ela
abriu o armário e pegou uma mochila. Dentro dela, trazia alguns objetos que
pegara na casa de seu antigo Mestre. Pegou alguns palitos de bambu com pontas,
um ferro parecido com ferro de solda e um vidro com um líquido amarelo.
O
Sr Connes olhava preocupado para Sara. Resolveu arriscar:
-Filha,
o que vai fazer?
Sara
olhou para ele e o ódio refletia um brilho negro em seus olhos:
-Vou
fazer você falar.
Ela
ligou o ferro na tomada. Enquanto esquentava, ela pegou a mão amarrada de seu
pai e fincou um dos palitos de bambu embaixo de uma das unhas. O sr. Connes
soltou um grito de dor desesperado:
-Aaaai!
O que é isso?
Sara
pegou o líquido amarelo com um conta-gotas e deixou umas gotinhas cair no rosto
dele. No mesmo momento, a pele começou a arder e a formar uma espécie de
ferida.:
-Pare
com isso, Sara, por favor!
-Então
me fale. Toda a verdade.
Seus
olhos lacrimejavam por conta da dor. Ele concordou com a cabeça:
-Eu
tinha feito um contrato com uns amigos do exterior para desenvolver a pesquisa
com órgãos humanos. Mas não conseguia órgãos reais que pudessem ser usados. Por
meses tentei segurar a pressão que eu sofria dos contratantes, mas sem sucesso.
Então eles me deram um ultimato: ou eu conseguia órgãos humanos e começava a
pesquisa ou eles matariam você e sua mãe. Foi quando um outro grupo me fez a
proposta da noite sangrenta. Faríamos uma festa e simularíamos um massacre.
Assim, retiraríamos todos os órgãos, eu conseguiria minha pesquisa e o grupo
venderia alguns desses órgãos como pagamento pelo serviço.
Sara
estava horrorizada:
-Você
mandou matar para abastecer um tráfico de órgãos e conseguir uma pesquisa?
-Ah,
filha, era muito dinheiro e...
Sara
pegou o ferro que estava quente e fez uma queimadura no braço dele:
-AAAAAiiiii!
Por favor! Pare com isso!
O
ódio nos olhos de Sara crescia. Ela pegou uma arma:
-Você
é um monstro. Sacrificou pessoas por dinheiro.
-Não,
filha! Fiz por você!
Ela
acertou o ferro quente em um dos olhos do homem:
-Não,
seu monstro. Você fez por você.
O
sr.Connes sofrera uma dor imensa naquele momento. O ferro perfurara seu olho,
sentia uma dor tão imensa que pensou que desmaiaria.
Sara
olhou a hora. Era 12h. Olhou para o homem:
-Você
tem direito a uma última refeição. O que quer comer?
A
dor era tanta que o Sr. Connes não conseguia nem pensar. Fez um sinal para ela.
Sara
aproximou-se dele:
-Bem,
se é assim, você vai morrer sem ter comido nada.
Ela
abriu a porta e antes de sair, disse:
-Não
tente sair daqui. Não queremos problemas.
O
Comandante Barros estava sem saber como agir. Joseph entregara um dossiê
completo para ele, tão assustador e tão surreal que não sabia se divulgaria
algo para seus superiores.
"Nunca
poderia pensar que a Mr Connes era apenas uma fachada para recepção e tráfico
de órgãos humanos".
Ele
nunca esquecera do poderoso sr. Connes. Quando iniciava sua carreira como
policial, visitara a empresa para uma palestra. Escutara a história do homem
pobre que vencera e ganhara o mundo, com diversas filiais de sua empresa e com
milhares de funcionários. Lembrava das palavras que soavam tão puras e sinceras
que emocionaram a todos. Era um homem enigmático, quase nunca era visto, mas
nunca escondera quem era. Pelo menos era o que ele achava.
Algumas
coisas intrigavam Barros. Uma delas era o motivo de Joseph esperar
especificamente aquele dia.
"Por
que hoje?"
Barros
caminhou e pegou um calendário. Ao ver a data, pensou:
"O
último dia da festa..."
Como
num estalo, veio à mente dele o motivo:
-Último
dia da festa! O dia em que lembra-se o dia sangrento de Sordes. E hoje...
Exatamente hoje, completa-se 10 anos da tragédia!
Continuou
a acessar os arquivos. Foi quando descobriu um deles detalhando o dia sangrento
e outro detalhando como o Sr.Connes sobreviveria:
-Não
acredito! Eles planejaram o dia sangrento!
Ficou
paralisado ao ver um último arquivo, dizendo:
-O
Sr. Connes está vivo!?
Levantou-se,
pegou suas armas, as chaves do carro e saiu.
"Desculpe-me,
Joseph. Mas preciso saber melhor o que aconteceu".
Joseph
entrou no quarto da pensão. Abriu o armário e pegou as duas espadas. Depois,
pegou uma mala, abriu-a e separou algumas facas e uma arma de fogo que deixava
sempre carregada.
Arrumou
metodicamente todas as armas sobre a cama. Olhou-as e sorriu.
De
volta ao armário, escolheu uma calça jeans e uma camiseta preta. Tomou um
demorado banho frio e vestiu a roupa escolhida. Trocou o curativo, colocando
mais um pouco do líquido no machucado, enfaixou-o novamente e voltou para a sala.
Dentro
da mala, pegou uma foto que estava em uma moldura dourada. Era a foto de seu
pai. Colocou-a em pé e ajoelhou-se, como
quem reverencia seu mestre. Seguindo a tradição da ordem, recitaria o
juramento, o mantra sagrado da ordem. Como era um momento decisivo, recitou-o
em sua língua nativa:
-Marcados
pela vida, Vida que manipulamos com mãos impuras. Sejamos juízes e executores
do que foi oculto pelas areias do tempo. As marcas do passado reflitam o brilho
de nossa justiça. O túmulo de nossos pais seja a força que nos conduz. Frente à face da morte, aceitemos nosso
destino como culpados que somos.
Calmamente
recitou-o. Aquelas palavras, tão singelas, tão sutis e tão verdadeiras, sempre
fortaleciam-no, sempre impulsionavam-no para seguir em frente e realizar suas
tarefas.
Levantou-se,
guardou suas roupas, sua foto e fechou as malas. Deixou-as sobre a cama com um
bilhete.
Joseph
pegou cada arma com carinho. Posicionou-as em seu corpo, distribuindo sempre da
mesma forma, facas nas pernas, arma de fogo na cintura e as espadas nas costas.
Por
fim, pegou um casaco marrom de couro e pôs sobre o corpo. Olhou para o quarto e
sorriu.
"Chegou
a hora".
Bateu
a porta e saiu para finalizar sua missão.
O
Sr.Connes sofria com a tortura que Sara o submetera. Pensara em meios de fugir,
mas estava bem amarrado.
"Por
fim, devo merecer isso. Sou mesmo culpado pelo que ela tornou-se".
Sacudiu
a cadeira e caiu. Não conseguia mais se mover.
Minutos
depois, Sara entrou no quarto do hotel. Ela riu ao ver o homem caído:
-Oras,
vejam só. Acho que você não entendeu. Você não vai sair vivo desse dia. Por
falar nisso, só para te lembrar, hoje completam-se dez anos que você assassinou
minha mãe e acabou com minha vida.
O
homem nada respondeu. Não tinha o que falar.
Ela
pegou algumas armas e guardou-as no seu corpo.
Sara
pegou a cadeira e levantou o homem. Amarrou uma corda em seu pescoço e em suas
pernas. Desamarrou-o da cadeira e refez a amarração. Poderia carregá-lo como
quem sai com um cachorro para o passeio.
-Vamos.
Está na hora de você voltar para onde estava na minha vida: morto e enterrado.
Ela
jogou uma capa na cabeça dele para ninguém ver o olho queimado nem o rosto do
homem e saíram do hotel.
Não
foi difícil andar pela cidade com aquele homem amarrado, pois no último dia da
festa as pessoas protestavam andando pelas ruas representando os mortos daquela
noite sangrenta.
Sara
levou seu pai para a floresta onde naquela noite, dez anos atrás, sua mãe
morrera defendendo-a. Ela fez o caminho calmamente, silenciosamente,
relembrando cada passo daquela noite.
O
sr. Connes era arrastado por aquele caminho, pois não estava aguentando
caminnhar com tanta dor. Um olho queimado, um palito de bambu fincado embaixo
de sua unha e feridas que ardiam em seu rosto. Desejava a morte. Naquele
momento, achava que morrer era melhor que passar por aquilo tudo. Nada poderia
ser pior. Mero engano.
Sara
carregou o homem até uma árvore. Exatamente a árvore que ela olhara na hora que
o homem matou sua mãe. Naquela árvore, ela amarrou o pai. Ali ela começou um
duro discurso:
-Foi
aqui, pai. Foi aqui que o assassino friamente fincou uma espada na minha mãe. E
sabe o que ela estava fazendo? Me defendendo. Enquanto você fingia estar morto.
Enquanto você massacrava seus funcionários em troca de dinheiro.
Ela
caminhou em volta dele. Foi entornando um líquido vermelho, formando um
círculo. Quando chegou na frente dele, continuou o discurso:
-Eu
te admirava, pai. Eu achava você o maior de todos. Durante todos esses anos, eu
busquei duas coisas: vingar-me de quem me fez mal e vingar a morte de vocês.
Nunca esperei descobrir que você fosse o responsável por tudo isso.
Ela
pegou uns galhos no meio da mata e foi fincando-os em volta do círculo. Seu
discurso prosseguia:
-Eu
te amava, pai, eu te idealizava. Nunca esperei isso de você. Está na hora de
você voltar a ser só uma lembrança. Está na hora de você ser de novo o pai
morto que fazia tudo pelo povo.
Ela
distribuiu um grão branco em volta do círculo. Parou novamente em frente ao
homem.
O
Sr. Connes olhou para ela, e pronunciou:
-Por
favor, me perdoe, filha.
Lágrimas
caíram dos olhos de Sara:
-Não
posso. Você me tornou a assassina fria que sou. Você é um dos responsáveis pelo
meu sofrimento. Você é o culpado de toda a dor que sinto aqui dentro. Assim
como os outros, não há perdão para você.
Ela
foi até uma pedra grande e retirou-a do lugar. Embaixo, estava um livro e uma
vela. Ela pegou um isqueiro no bolso e acendeu a vela. Aproximou-se novamente
do Sr.Connes e beijou-o levemente nos lábios:
-Esse
foi o último carinho que você receberá.
Ela
pegou o frasco com o líquido amarelo e terminou de derramá-lo sobre o homem.
colocou a vela no chão, sentou-se frente ao homem e abriu o livro. Leu em voz
alta as seguintes palavras:
-Que
a chama da justiça, pautada em nossas leis, arda em seu corpo e alma,
devolvendo-te a dor que um dia causaste. A escuridão que se achega julgue-te
culpado e em trevas e terror persista eternamente a tua alma. Julgue a morte o
começo de uma eternidade de dor, a justiça de outra vida achega-se a ti por
minhas mãos, que purificam-se com o odor do teu repugnante corpo que queima.
Dito
isso, pegou a vela e pôs a chama no líquido amarelo. Logo, um círculo de fogo
formou-se e foi consumindo os gravetos. Em segundos, o homem gritava de dor em
meio às chamas.
Sara
ficou de pé e lembrou-se de sua história. Lembrou-se de como era uma criança
feliz, que vivia uma vida boa, até aquele dia. O dia que a festa de seu pai foi
invadida por homens que ele mesmo contratou para matar a todos. Lembrou-se da
fuga desesperada junto a sua mãe e de como ela morrera protegendo-a do
assassino. Lembrou-se do sangue do assassino respingando em seu corpo quando Joseph o matou. Lembrou-se da sua
fuga, de como fugiu de um policial e de como chegou na casa de Eduardo.
Lembrou-se de cada um momento sofrido naquela casa, lembrou-se de como treinou
com o Mestre e da sensação de matar pela primeira vez. Lembrou de todos que
eliminou, todos que a prejudicaram. E agora estava ali, acabando com a vida do
homem responsável por tudo aquilo. O seu próprio pai, o homem que mentiu a vida
inteira.
Ela
caiu ajoelhada, chorando copiosamente. A vida não era justa. Tanto sofrimento
para descobrir que seu próprio pai era o mandante de tudo.
O
sr.Connes gritava desesperado, em meio às chamas. Sabia que era seu fim, e
implorava por morrer logo.
Sara
escutou um barulho e sentiu algo passar por cima dela em alta velocidade. Ela
levantou a cabeça e olhou para trás.
Joseph estava de pé, com uma capa parecida com a que usava naquela noite dez
anos atrás, empunhando uma arma. Olhou para o seu pai, que calara-se.
Joseph
atirara e acabara com o sofrimento do homem, acertando uma bala em sua cabeça.
Sara
levantou-se furiosa:
-O
que você está fazendo aqui? Quem lhe deu o direito de matá-lo?
Joseph
olhou seriamente para ela:
-O
ritual da execução, realizado somente nos piores dos piores. Seu ódio cresceu
bastante. Vejo que descobriu parte da
verdade. Eu só aliviei um pouco a pena.
-Parte?
-Sim.
Falta você descobrir o meu envolvimento dentro disso tudo.
-Você
foi o contratado pelo meu pai. Você encabeçou o massacre.
Joseph
deu alguns passos:
-Antes
fosse tão simples.
Joseph
se aproximou. Sara já sentia-se acuada. Ele olhou sério para ela, enquanto o
corpo já sem vida do homem queimava naquele estranho ritual:
-Acho
que você precisa saber a verdade, ainda mais que tudo acaba hoje. Não fui
contratado pelo seu pai. Fui enviado pela sua mãe.
-Minha
mãe?
Ele
assentiu com a cabeça:
-Sim.
Sua mãe. Que mulher fantástica. Se não fosse a ganância do seu pai, ela estaria
viva ainda. Um dia ela me procurou e implorou que eu estivesse aqui por ocasião
daquele aniversário. Ela temia por uma coisa: a sua vida, Sara. Ela escutou uma
conversa do seu pai onde um homem dizia que se ele não pagasse a dívida que
você e ela morreriam.
-O
quê?
-Sim.
Ela me contratou para te proteger. Sei que os arquivos do Mestre diziam que
minha missão foi para matar seu pai, mas sei também que nenhum detalhe foi
revelado. Foi uma missão diferente. Fiz pela sua mãe, uma mulher que eu conheci
chorando desesperadamente e temendo a vida da filha. Os outros homens? Os que
mataram as pessoas? Eram simplesmente aqueles que matamos no andar secreto da
empresa.
Sara
não esperava isso. Essa revelação mudaria a última parte de seu plano:
-Joseph,
por anos eu te admirei. Quis ser como você. Mas quando descobri o arquivo, quis
te destruir, e armei tudo isso com o intuito de matar o mandante dos
assassinatos. E eu achei que era você.
Joseph
gargalhou:
-Tola!
Procurou a verdade e encontrou uma história que você supôs ser real. Mas não se
preocupe. Como já te falei, hoje é o dia final, o dia onde descobriremos quem é
o melhor assassino. Eu estou aqui para uma única coisa, Sara: eliminar você.
Sara
olhou um pouco assustada e um pouco furiosa.
Joseph
apontou a arma para ela:
-Aceite
seu destino, como culpada que você é.
Sara
olhou para aquela cena. O mesmo homem que a salvara agora apontava uma arma
para ela. Não pretendia morrer ali, queria acabar com tudo na esperança de
finalmente ter uma vida normal. Antes que ele atirasse, ela pulou atrás de uma
moita, onde pegou a sua arma.
Joseph
atirou. A bala acertou o chão perto de Sara. Ela respondeu com um tiro, mas sem
sucesso.
Ele
atirou na mata e por milímetros não a acertou. Tentou atira de novo, mas a arma
falhou. As balas haviam acabado:
-Droga!
Sara
aproveitou-se do momento e levantou-se. Ela atirou em Joseph, mas ele já estava
correndo.
O
fogo ainda queimava. Sara estava em meio a um turbilhão de sentimentos, mas não
podia deixar que Joseph a pegasse. Decidiu segui-lo e acabar com tudo de uma
vez.
Joseph
corria sem preocupar-se com Sara, sem olhar para ela . Parecia certo de onde
queria chegar.
Sara
perseguia-o como podia, preocupada em onde iriam parar.
Joseph
correu e fez Sara segui-lo até a casa que pertencera ao Mestre, o homem que
treinara Sara. Atrás da casa, havia um depósito. Joseph abriu a única porta e
entrou.
Sara
ficou preocupada. Dentro do depósito havia várias armas. Ela tinha que ser
objetiva ou pereceria nas mãos de Joseph.
Com
cuidado, ela abriu a porta e entrou estava tudo escuro.
A
porta atrás dela bateu. Ela tentou abrir, mas a mesma fora trancada pelo lado
de fora. Ela pegou a arma e preparou-se para atirar. Escutou a voz de Joseph:
-Se
eu fosse você, não faria isso.
Uma
luz acendeu sobre ela. Estava presa dentro de uma sala que parecia revestida
com metal.
-Joseph!
Seu desgraçado!
O
comandante Barros correu até a central de comandos. Ele imprimiu todos os
arquivos sobre a empresa e enviou para seus superiores. Na mesma hora, ele
recebeu um telefonema avisando que um comboio chegaria na empresa e que
pegariam os responsáveis. Barros recebera ainda um elogio do seu chefe por seus
serviços prestados e escutou que seria promovido por conta do que descobriu.
Mas
ele não parecia estar preocupado com isso. Ele queria era solucionar tudo.
Barros
fez diversas ligações para Joseph, sem sucesso. Estava preocupado com o que
aquele que nos últimos dias tornara-se seu amigo e que desvendara tantas coisas
iria fazer.
"Não
faça nenhuma tolice!"
No
meio da tarde, recebera uma ligação que avisava de uma espécie de foco de
incêndio que estava acontecendo na floresta. Pegou o seu carro e foi para o
local.
Ao
chegar, não haviam mais chamas. Apenas um corpo carbonizado. Ele levantou o que
restou do braço e viu uma pulseira dourada, que retirou antes que outross
chegassem. Sabia quem era aquele homem:
-Sr.
Connes. Agora realmente está morto.
Barros
conhecia a pulseira, pois sua mãe trabalhara em uma fábrica de jóias, e
fabricara aquela pulseira específica para o Sr. Connes.
Quando
os bombeiros chegaram, nada disse. Conversaram um pouco e disse esperar o
relatório sobre o corpo.
Barros
tentara o telefone de novo. Joseph não atendia.
Ele
sentou no banco do carro e ali permaneceu por algum tempo. Enquanto escutava o
relatório do responsável, escutaram um grande estrondo e viram uma explosão na
direção da antiga casa da floresta.
Sara
estava nervosa. Batia nas quatro paredes cobertas de metal. Em vão. Pensou em
atirar, mas não seria prudente. A bala poderia ricochetear e acertá-la.
-Eu
vou te matar, Joseph!
De
algum lugar, Joseph respondeu:
-Não,
Sara. Você acaba de cair na minha armadilha. Agora vai me ouvir.
O
metal na frente de Sara brilhou. A luz apagou-se e uma projeção iniciou:
-Sara.
A menina que sobreviveu à noite sangrenta. A filha de uma mulher determinada.
Uma simples assassina.
Sara
começou a identificar a imagem que formava-se nas paredes. Eram fotos, todas de
homens. Todas das pessoas que morreram desde que seu plano iniciou-se. Joseph
prosseguiu:
-Foram
cinco mortes só para chamar minha atenção. Depois, o homem que te criou, tão
culpado quanto os outros. Aí veio o Silva...
-Eu
não matei o Silva. Eu até...
-Você
gostava dele. Eu sei. E ele era um traidor. Tudo que acontecia na central ele
passava pra você. Pois é, Sara, nessas horas que descobrimos os verdadeiros
assassinos. Eu tive que eliminá-lo. Não podia ter um traidor na equipe. Além do
mais, ele era um inútil.
Sara
ficou assustada revoltada:
-Você
matou o Silva!? Seu desgraçado! Vou acabar com você! Queria um motivo para
justificar sua morte e acabo de conseguir.
Joseph
soltou uma gargalhada:
-Pena
que tarde demais. Mas prossigamos. Aí veio a morte de Junior, o que era o filho
preferido de Eduardo. Esse deu trabalho para encobrir. Não queríamos um alarde
por causa de um homem que abusou de você.
-Como
você sabe disso?
Joseph
falou num tom sério:
-Estava
investigando seu passado. Se você não o matasse, eu o faria. Ah, um detalhe.
Foi muito útil para mim a explosão da padaria. Pude investigar a empresa sem
sua presença. Pena que para isso tive que explodir a padaria. Gostava do café
que era servido lá.
-Você!?
Seu...
-Não
fale nada. Afinal de contas, se eu não fizesse José tomar um medicamento tão
pesado, ele não estaria naquela situação e não revelaria a verdade para você.
Sara
ficou ainda mais assustada:
-Do
que você é capaz?
-Sou
capaz de resolver todos os meus casos. Não fale nada. Eu permiti que você
acabasse com o responsável pela morte de sua mãe.
Sara
não sabia o que fazer nem gostava do rumo que a conversa tomava.
Joseph
desligou o projetor e acendeu de novo a luz. Deixou sair um suspiro:
-Ah,
Sara. A menina que prometi salvar. O que você se tornou? O que a vida fez de
você? É uma pena que tudo tenha que terminar assim. É uma pena que essa seja a
minha missão.
A
parede em frente a Sara abriu-se lateralmente. Do outro lado, uma luzmuito
forte e na frente, a silhueta de Joseph, com as duas espadas nas mãos.
-Ah,
Sara. Esse é o fim. E o fim termina com a conclusão de minha missão. E minha
missão é acabar com você.
Sara
pegou a arma e apontou. Mas era tarde demais. Ela sentiu algo acertá-la, tão
rápido que não conseguiu ver o que era. Um calor percorreu seu corpo. Tentou se
mexer, mas seu corpo não respondia. A Imagem de Joseph foi ficando embaçada em
sua frente. Depois, veio só a escuridão.
Barros
e uma equipe seguiram em direção da explosão. De carro, levaram poucos minutos.
Olharam um depósito pegando fogo e viram, andando em sua direção, Joseph.
O
comandante desceu do carro e correu em direção do amigo:
-Joseph!
O que houve?
Joseph
sorriu para ele:
-Acabou,
Barros. Aconteceu o fim de tudo.
Barros
sentiu um arrepio por causa daquela frieza:
-E
Sara...
-Seu
corpo explodiu junto com aquele depósito em chamas. Por favor, se encontrarem
os restos mortais, coloquem em um caixão e enterrem em uma tumba não
identificada.
-Mas
ela é filha...
-Sim,
eu sei. Pelo menos é o que ela achava. Na verdade, a Sara que era filha do Sr.
Connes não está aqui.
-O
quê? Então quem era ela?
Joseph
olhou para o amigo:
-Acho
que nunca saberemos. Talvez alguém que quis esconder a própria história vivendo
a história de outra pessoa.
Joseph
viu um carro preto parar perto de onde eles estavam. Dentro, Rocha buzinou.
Joseph fez um sinal para ele e disse para Barros:
-Amigo,
chegou a hora de partir. Sei que pareço um ser frio, mas simplesmente estou
cumprindo meu dever. Se precisar de mim, basta me ligar.
-Antes
de ir, me responda só uma coisa: o corpo
que encontramos queimando na floresta...
-O
sr. Connes.
-E
por que não a impediu?
-Como
te disse, existem coisas que nunca saberemos.
Joseph
entrou no carro e acenou para Barros. Apertou a mão de Rocha e disse:
-Vamos,
Rocha. Meu trabalho está concluído.
Ele
seguiu a viagem olhando pela janela. Deixou cair uma lágrima. Uma dolorida
lágrima por tudo que vivera nos últimos dias e por tudo que fora obrigado a
fazer naquela pequena e triste cidade que vivera momentos de terror por causa
de uma menina, uma sobrevivente do dia sangrento de Sordes, que era lembrado
pelos dez anos de acontecimento.
Não perca
Os rumos que Joseph
tomará depois de tudo que passou Sordes.
Em Breve: Epílogo
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