CAPÍTULO 5
Tanda dari masa lalu - AS MARCAS
DO PASSADO
Joseph
estava sentindo-se cansado. O relógio marcava 23:53h e acordara às 5h com o
telefonema de Barros. Mas aquele dia ainda demoraria a acabar, pois após o
enterro de Silva, eles foram dar uma assistência à família.
Seu
dia interminável acabou às 3h da madrugada, quando finalmente chegou em seu
quarto na pensão, mas não antes de Barros levantar uma questão que o fizera relembrar
o passado:
-Joseph,
você é excelente. Não sei como acabou tornando-se um assassino.
Joseph
bastou-se em responder:
-Alguém
precisa limpar o lixo da sociedade, e eu sou um desses preparados para sujar as
mãos.
Saiu
do carro e caminhou até a pensão. Em sua mente, permeava apenas um pensamento:
"Como se eu tivesse tido escolha".
Entrou
no seu quarto e deitou na cama. A história de sua origem passou pela sua mente
como se fosse um filme.
O
pai de Joseph, conhecido apenas por Gil, fora o maior assassino de todos os
tempos. A Sociedade sempre o enviava nas mais difíceis missões.
Durante
uma grande guerra, Gil e uma grande equipe foram enviados para uma missão
diferente: resgatar alguns prisioneiros e eliminar o máximo de inimigos
possível no processo. O que a equipe não esperava era a reação dos inimigos.
Mesmo sendo preparados para entrar em qualquer lugar escondidos, foram
descobertos. Alguns foram mortos na troca de tiro. Por fim, restavam três
assassinos. Um deles pisou em uma mina e explodiu. O outro foi atingido por um
inimigo na entrada da prisão. Sobrou apenas Gil.
Usando
toda a sua habilidade, ele conseguiu eliminar um por um dos soldados inimigos.
Restou apenas entrar na prisão. Caminhou pelas celas, mas a maioria estava com
prisioneiros mortos. Resgatou alguns poucos soldados. Um deles apontou para uma
porta no final do corredor. Disse, com uma voz fraca e rouca:
-Tem
uma mulher mantida refém lá dentro.
Gil
tocou em seu ombro:
-Obrigado,
soldado. Você foi muito bravo.
Gil
enviara um pedido de reforços, que chegou na prisão pouco depois da saída dos
prisioneiros. Assim, foram resgatados sem mais problemas. Ainda deixaram, a
pedido do próprio Gil, um pequeno carro para que ele partisse.
Depois
de caminhar alguns metros, tocou na porta. Ela estava aberta. Entrou com todo
cuidado.
No
fundo da sala, encolhida em posição fetal, com roupas rasgadas e suja, estava
uma mulher. Gil falou antes de entrar:
-
Olá. Não tenha medo. Vim te resgatar.
Debilitada,
parecia ter sido vítima de espancamento e abusos. Ela olhou para Gil, com
lágrimas nos olhos. Levantou um braço e balbuciou:
-Estou...algemada...
Gil
aproximou-se e acariciou seus cabelos:
-Vou
tirar você daqui.
Ele
pegou uma ferramenta no bolso e com uma incrível habilidade abriu a algema.
Quando a mulher levantou-se, Gil percebeu que ela estava grávida. Auxiliou-a
com cuidado:
-Com
quantos meses você está?
Ela
olhou para ele, triste:
-Em
torno de seis.
-E
o pai?
Ela
abaixou a cabeça. Envergonhada, respondeu:
-De
um desses soldados que guardavam a prisão. Eles...
Gil
abraçou a mulher. Sabia que era uma situação difícil para ela.
Apoiando a mulher, Gil saiu da prisão. Do lado de
fora, estava apenas o carro que pedira. Ele colocou a mulher cuidadosamente no
banco de trás do carro e deu água para ela beber. Depois, disse calmamente:
-Espere
aqui. Vou acabar com isso de uma vez.
Gil
entrou na prisão, certificou-se que todos que estavam dentro da prisão estavam
morto, armou um pequeno explosivo com um contador marcando três minutos. Ativou
e correu. Entrou no carro, ligou e partiu.
Quando
já estavam bem distante, a mulher assustou-se com o som da explosã. Só então
Gil parou o carro e olhou para ela. Estava debilitada, mas era uma bela mulher
morena, com olhos parecendo duas jabuticabas:
-Qual
o seu nome?
Ela
sorriu para seu salvador:
-Me
chamo Maria, meu senhor.
Gil
fez um sinal negativo com a cabeça, esboçando um leve sorriso:
-Senhor
não, me chame de Gil. Me diga, Maria, para onde você quer que eu te leve? Acabo
de cumprir minha missão e posso te deixar em casa.
Ela
entristeceu-se novamente e respondeu:
-Não
tenho casa, Gil. A guerra destruiu tudo. Os soldados chegaram há quase um ano, mataram todos os homens da
minha cidade e tomaram as mulheres e crianças como reféns. Tentei revidar e fui
jogada naquela prisão para ser...o brinquedinho deles.
Gil
secou uma lágrima de Maria com as mãos:
-Mas
agora tudo acabou. Bom, se não tem para onde ir, o que faremos? Sinto-me
responsável por você e nunca abandonaria uma mulher grávida.
Maria
olhou para sua barriga:
-Essa
criança... Eu temia por ela e por tudo que poderia passar naquela prisão. A
marca da minha vergonha, a minha única razão de sobreviver cada dia. O que
faremos, soldado?
Gil
tocou o rosto dela:
-Não
sou um soldado. Não se assuste, mas sou um assassino. Faço parte de uma
sociedade que ssó é chamada em casos como este, para matar inimigos, para
realizar aquilo que os militares não são capazes. Mas eu preciso de férias. A
guerra acabou comigo.
-Férias?
-Sim...
Definitivas.
Gil
partiu para uma casa em uma cidade distante, onde tinha uma pequena fazenda que
produzia o suficiente para ele, Maria e o bebê que chegaria. Já na fazenda,
ligou para o presidente da Sociedade Secreta dos Assassinos e solicitou as
férias por tempo indeterminado. Explicou-lhe
as razões e, como eram amigos pessoais, foi-lhe concedido o benefício.
Como
assassino, Gil tivera a oportunidade de aprender um pouco de medicina natural
durante uns anos que passara defendendo uma tribo na África. Esses conhecimentos
forma utilizados naquele momento.
As
ervas medicinais que plantara na fazenda foram o suficiente para cuidar da
saúde de Maria e garantir que o bebê ficaria bem até o nascimento.
Aqueles
meses juntos fizeram com que Gil ficasse apaixonado por Maria. Conhecera sua
história e ficara encantado com as habilidades que ela possuía. Lamentou não
ter conhecido sua família tampouco sua cidade, destruída durante aquela guerra
que ele classificou como maldita. Maria venerava Gil, pois fora o homem que a
salvara da tortura e da prisão, além de tê-la levado para morar com ele. Por
esses motivos, naturalmente tornaram-se amantes apaixonados, unidos por um
trágico destino, selados por um amor incondicional.
O
dia que o bebê nasceu foi festejado por Gil. Era um menino forte e saudável,
segundo um médico que ele trouxera da cidade que ficava há 20 km da fazenda.
Maria alegrou-se tanto quanto Gil e disse:
-Ele
precisa de um nome.
Gil
sorriu:
-Por
que não dá a ele o nome de seu pai?
Maria
surpreendeu-se com a ideia. Mas gostou:
-Muito
bem, então ele será chamado de Joseph. Joseph Neto.
Os
dias foram passando e o menino crescia cada dia mais. Em pouco tempo, Maria
recuperara a beleza que lhe fora negada na prisão e tinha em seu coração o
sentimento que sempre buscou: paz.
Gil
nunca escondeu a verdade de Joseph. Sempre falava sobre como conhecera sua mãe
e do sofrimento que ela tivera na prisão. Em contrapartida, treinava Joseph.
Queria que o menino estivesse preparado para qualquer emergência, pois sabia que
um dia a Sociedade o chamaria novamente.
A
alegria da família aumentou quando, aos dez anos, Joseph descobriu que teria
uma irmã. Comemoraram muito aquele momento. A família tornava-se maior.
Quando
a menina nasceu, foi batizada de Beatriz, nome herdado da mãe de Maria. Ao ver
aquela menina tão pequena, Joseph jurou, repetindo o Mantra Sagrado da
Sociedade dos Assassinos, que protegeria Beatriz com a própria vida.
Gil
ficava cada dia mais orgulhoso de Joseph. O menino mostrara uma força e uma
habilidade incrível. Dominava técnicas de artes marciais, além de manusear
qualquer objeto para usar como arma. Recebera de Gil um título sagrado, dado a
Gil por seu mestre:
-Joseph,
você é o mais novo Fencing Master.
-E
o que isso significa?
-Numa
tradução livre, o Supremo Mestre das Armas.
Gil
orgulhava-se do bom treinamento que fizera com Joseph. Conseguira que o filho
tivesse um desempenho acima do seu.
Dezesseis
anos passaram-se desde que Gil pedira uma dispensa da sociedade. Mas no início
da primavera, tudo mudaria. Gil recebera um telefonema do seu amigo pessoal e
presidente da Sociedade:
-Gil,
temos um problema. Os nossos melhores homens foram assassinados junto com as
famílias.
-Hum.
Isso me preocupa.
-Sim.
Há ainda outro detalhe: todos que morreram participaram de alguma forma da
última guerra que você participou. Estou te ligando por dois motivos. Um: tome
cuidado, você e sua família. Dois: precisarei te colocar em atividade
novamente. Você é o melhor, talvez seja o único capaz de pegar esse inimigo.
Gil
temia esse dia, o dia que retornaria. Mas não tinha como fugir de seu destino:
-Envie
alguém para me pegar de carro. Seja discreto.
-Temos
um novo recruta, conhecido como Rocha. Ele chegará amanhã de manhã em sua casa.
-Estarei
pronto.
Joseph
brincava com Beatriz, sua irmã, que estava com quase seis anos, enquanto sua
mãe costurava umas roupas próximo aos dois. Repentinamente, dois homens
vestindo ternos pretos, surgiram e apontaram espadas para eles:
-Silêncio.
Ou as crianças morrem.
Do
lado de fora, Gil escutou um barulho e sentiu uma dor. Fora baleado na perna.
Virou para ver de onde vinha o tiro, mas nada podia fazer. Dois homens o
arrastaram para a frente da casa.
Sangrando,
o assassino sabia que estava diante dos homens que mataram seus amigos:
-O
que querem aqui?
Um
outro homem desceu de um carro e aproximou-se:
-Veja
quem achei, o maior de todos os assassinos. O homem que destruiu minha prisão e
acabou com minha guerra.
Aquele
homem era forte, aparentava ter em torno de cinquenta anos, trajava terno azul
marinho, um chapéu e usava óculos escuro. Ele prosseguiu:
-Hoje
é o dia, Gil. O dia da sua morte.
Virou
as costas para o assassino e deu uma última ordem antes de entrar no carro e
partir:
-Matem
todos. Mas comece com a família dele. Faça com que ele sofra.
Gil
sentia-se impotente pela primeira vez em sua vida. Seus filhos e sua esposa
estavam em perigo.
Dentro
da casa, através de um rádio, o homem recebeu a ordem de matar a família de
Gil.
Antes
que pudesse tentar, Beatriz pulou sobre seu braço e o mordeu. O homem,
irritado, jogou-a contra a parede e puxou sua espada, para golpeá-la e matá-la.
Joseph
pulou sobre a menina, derrubando-a e salvando a vida dela. A ponta da espada
fez um rasgo no lado esquerdo do seu rosto, que tornar-se-ia uma cicatriz que o
acompanharia pelo resto de sua vida.
O
corte foi o estopim para despertar o instinto assassino de Joseph. Quando caiu,
já com o rosto sangrando, pegou uma tesoura que usava na brincadeira com sua
irmã e lançara-a com força e precisão, acertando o olho direito do homem que
tentara matá-la. O segundo homem partiu com sua espada. Mas era tarde. Joseph
já estava de pé, tomara a espada do primeiro homem e, com um golpe certeiro,
decepara a cabeça do segundo. Imediatamente fincou a espada no coração do
primeiro para garantir que estivesse morto.
Joseph
abraçou a irmã e a mãe:
-Vocês
estão bem?
As
duas choravam. Ele secou as lágrimas com as mãos. Maria olhou para o filho e
lembrou do dia que conhecera Gil.
O
garoto levantou e pegou as duas espadas, que carregaria para todas as suas
grandes batalhas. Armou-se também de uma pequena pistola.
O
rádio recebeu uma nova mensagem:
-Onde
eles estão? Traga-os para fora.
Joseph
pegou o rádio, seguiu até uma janela, de onde viu os dois homens com armas
apontadas para Gil. Ali, ele apontou a pistola para o homem que estava com o
rádio na mão e disse:
-Eles
estão mortos. Assim como você.
E
atirou. A bala transpassou a cabeça do homem, que caíra morto instantaneamente.
Aproveitando-se
da distração do último homem ao ver o companheiro morto, Gil pegou uma pedra
caída no chão e levantou-se rapidamente, golpeando a cabeça dele.
Gil
estava ferido e irritado. Golpeou o homem até que sua cabeça rachasse e a vida
deixasse seu corpo. Fora uma morte dolorida. Ao ver que estava livre dos
inimigos, Gil caiu.
Joseph
pegou o pai no colo e colocou no sofá. Com a ajuda da mãe, retiraram a bala
alojada na perna dele e cuidaram da ferida.
Horas
depois, Gil acordou, cercado pela família. Sua primeira fala foi:
-Não
sabem como me alegro em ver que estão bem. Belo trabalho, meu filho querido.
Apesar
de assustada, Maria vivera horrores na guerra e conseguira acalmar Beatriz, que
ficara com um machucado na cabeça devido a queda que sofrera.
Na
manhã seguinte, o recruta Rocha chegara na fazenda. Ao entrar, assustou-se ao
ver quatro corpos estirados ao lado da casa e Joseph cavando uma cova.
Mancando
e apoiado numa bengala, Gil apareceu:
-Você
deve ser o Rocha. Não se assuste, garoto. Esses não nos perturbarão mais.
Rocha
ajudou Joseph a cavar o buraco e a enterrar os quatro corpos. Ao terminarem,
entraram na casa. Gil anunciou para a família:
-Tenho
que pegar o responsável por isso. Não posso deixar que corram o risco de morrer
de novo.
Maria
tentou questionar:
-Mas
você está ferido.
-Sim,
mas sou o melhor que eles tem. Os outros morreram pelas mãos desse grupo, e por
pouco não tivemos o mesmo destino.
Mas
era visível que Gil precisava recuperar-se da ferida na perna. Joseph
levantou-se e tomou a palavra:
-Então
está decidido. Pai, você leva a mamãe e a Beatriz para um local seguro. Eu vou
pegar o responsável por tudo isso.
Gil
nunca esperava essa reação de Joseph:
-Filho,
não...
-Não
complete, pai. Você sabe que sou o mais indicado no momento para isso. Não
posso deixar que você abandone a mamãe e Beatriz. Além do mais, está ferido. Eu
posso fazer isso, você me treinou para isso.
Mesmo
sem concordar, Maria e Gil sabiam que era verdade. Gil ligou para o presidente
e explicou a situação. Não tinham escolha, por isso a Sociedade aceitou que
Joseph fosse em lugar do pai.
Joseph
pegou as duas espadas, algumas armas e uns materiais de uso pessoal. Ele beijou
a mãe e a irmã e deu um forte abraço no pai, desejando que ele se recuperasse
logo.
Antes
de sair, Gil ainda entregou a ele um papel com a placa do carro que o homem
partira. Joseph agradeceu e partiu com Rocha.
Em
dois dias o caso fora solucionado e Joseph entregara a cabeça do responsável
para o presidente da Sociedade.
Desde
aquele dia, nunca mais deixara de participar das mais difíceis missões,
cumprindo sempre o que lhe era pedido. Tornara-se o novo número um da
Sociedade, o substituto do seu pai, que pudera se aposentar e cuidar da sua
família.
As
lembranças de tudo que passara com sua família permeavam a cabeça de Joseph
enquanto tentava dormir. Quando finalmente conseguira, estava próximo da hora
de levantar para mais um dia onde teria que avançar no caso de Sara.
Sara
saíra da casa onde deixara o corpo de Júnior quando a noite começava a chegaqr
na cidade. Estava cansada e precisava relaxar. Resolvera seguir para uma casa
isolada, que poucos sabiam da existência, e que fora o lugar onde aprendera a
ser uma assassina.
A
casa ficava no pé de uma montanha. Era feita de madeira, tinha apenas um
quarto, uma cozinha e um banheiro. Atrás, uma área de treino com várias armas
trancadas em um pequeno depósito. No fundo, um antigo poço artesiano desativado
e uma cisterna, que recebia água diretamente de uma mina da montanha.
Sara
pegou uma antiga chave, abriu a porta e entrou. Dentro, os móveis estavam
cobertos por plásticos, da forma que ela deixara para que não estragassem. Ela
trancou-se dentro da casa, foi para o quarto, retirou o plástico da cama e
deitou. Resolveu dormir ali, precisava ficar longe de tudo por umas horas.
Sara
descobrira aquela casa quando tinha dez anos. Seu irmão Junior tinha um amigo
com traços orientais chamado de Takashi. Nunca soube se era o nome verdadeiro
dele ou se era apenas um apelido dado pelos colegas de turma. O fato era que
esse menino era temido na rua e que lutava como ninguém. Ele morava na casa da
montanha com seu velho pai, que era o
seu mestre, o homem que o treinava todos os dias, segundo o próprio garoto.
A
menina viu ali uma oportunidade de mudança. Sofria abusos há dois anos e não
tinha como defender-se. Artes marciais poderiam ser a solução. Mas como
conseguir aprender a lutar?
Numa
noite, enquanto Junior abusava de seu corpo, ela disse:
-Junior,
peça ao seu amigo Takashi para que eu possa aprender com o mestre dele também.
Mergulhado
em êxtase, sem atentar ao que a menina dizia, ele concordou.
Na
manhã seguinte, Sara perseguiu Junior o dia todo, para que cumprisse a
promessa. Sem ter escape, ele ligou para Takashi e disse que sua irmã queria aprender
com o pai dele.
Dois
dias passaram, sem nenhuma resposta. Por fim, o pai do garoto disse que
conversaria com a menina.
Sara
foi até a casa da montanha, e encontrou um senhor alto, branco, com barba
falhada:
-Eu
sou o Mestre. Entre.
Sara
estava ansiosa demais, ao ponto que seu corpo tremia diante do homem. Ele
começou a questioná-la:
-Pequena,
por que quer aprender a lutar?
Sara
estava pronta para essas perguntas. Respondeu, sem titubear:
-Quero
aprender a me defender. Sou jovem e sei como as pessoas são cruéis.
O
homem coçou a barba, um pouco preocupado:
-Vejo
em seus olhos um pouco de medo e de ódio.
-Senhor,
eu vi meus pais sendo mortos. Mesmo sabendo que a pessoa que fez isso também
morreu, sou assombrada pela imagem dele todas as noites.
O
Mestre levantou-se:
-Você
começa amanhã. Quero você aqui às 7 horas da manhã.
Sara
ficou entusiasmada. Foi para casa e, naquela noite, não importou-se com nada do
que Junior fazia com ela, pois sua mente estava divagando sobre o dia seguinte.
Os
treinos começaram. Sara e o filho do Mestre treinavam juntos. Aos poucos, ela
destacava-se pela sua determinação em aprender cada golpe. Por meses, no
treinamento corpo a corpo, ela perdia para Takashi, mas por fim, ela passou a
equilibrar a luta.
Um
ano depois, iniciaram-se os treinamentos com armas. Ela demonstrou incrível
habilidade com espadas e armas de fogo. Aos poucos, Takashi a odiava por chamar
tanto a atenção de seu pai, que constantemente a elogiava.
A
paz cessou no dia em que Takashi estava na rua caminhando e encontrou com um
garoto mais fraco. O garoto estava quieto, sentado no banco da praça, mas
Takashi resolvera que queria sentar ali. Ele empurrou o garoto e lhe aplicou um
chute. O garoto estava caído, machucado, e Takashi iria bater ainda mais nele.
Sara
passava pelo mesmo lugar e viu a cena. Ela correu para cima de Takashi e o
segurou, gritando:
-Seu
covarde, não deixarei que bata nele!
Irritado,
Takashi conseguiu se soltar, mas a
batalha já estava armada. Várias pessoas cercaram os dois e queriam ver o
desfecho daquilo.
Takashi
partiu para cima de Sara, que defendia-se de cada golpe. Quando viu que o
garoto deixou uma abertura, aplicou um chute em sua barriga. A dor foi
instantânea. Coberta de fúria, Sara ainda socou os dois olhos do menino e
chutou-o no peito, fazendo com que caísse sobre a terra, machucado, sem forças
e humilhado. Ao ver a multidão, Sara cessou de bater no garoto e disse:
-Da
próxima vez, lembre-se de tentar bater em alguém que pode se defender.
Durante
uma semana, Takashi não apareceu nos treinos. Soubera pelo Mestre que ele
estava ainda recuperando-se do acontecido. Além disso, o próprio Mestre
castigara-o por ser covarde.
Mas
Takashi planejava vingar-se de Sara.
Numa
tarde, o menino cercou Junior e levou-o para um lugar isolado. Lá, pegou uma
pistola pequena e apontou para o garoto:
-Diga-me
tudo sobre Sara. Quero alguma coisa para poder derrotá-la.
Junior
tremia. Ele contou tudo que sabia, mas nada parecia suficiente. Até o momento
em que citou o fato de abusar constantemente dela. Takashi sorriu. Encontrara o
que queria.
Os
dias passaram e ele nada dizia. O incidente pareceu esquecido.
Os
dois trenavam com espadas naquela tarde e por duas vezes Sara já tinha vencido
o menino. Deram um intervalo, enquanto o Mestre preparava um chá para ambos.
Takashi
levantou-se e disse perto do ouvido dela:
-Veja
só, a menina irritadinha. Imagine o que acontecerá se eu revelar tudo que você
e seu irmão fazem à noite no quarto.
Sara
arregalou os olhos e uma fúria invadiu seu ser. Takashi pegou a espada e disse:
-Vamos
acabar com isso.
Sara
pegou a espada e deixou toda sua fúria tomar conta de seus atos. Ela golpeou
com uma grande ferocidade, enquanto Takashi tentava desesperadamente
defender-se. Não era o que ele esperava.
Com
um golpe mais forte, ela derrubou a espada dele, que estava exausto:
-E
agora, Takashi?
Ela
circulava o garoto. Disse, de forma fria:
-Quero
você de joelhos.
O
garoto xingava Sara de todas as formas possíveis, tentando ganhar tempo para
pegar sua espada. Quando finalmente colocou a mão na mesma, sem piedade, Sara
golpeou o seu pescoço, fazendo um corte profundo e matando o garoto na mesma
hora.
Ao
escutar um alvoroço, o Mestre correu para ver o que acontecia. Ele chegou no
momento em que Sara preparava-se para acertar o garoto com o golpe fatal. Ele
correu em direção da garota, gritando:
-Sara,
pare com isso!
Mas
era tarde. Ele vira o pescoço do filho sendo cortado e a vida dele sendo
retirada. A raiva invadiu seu ser:
-Sua
desgraçada!
Sara
viu seu Mestre correndo em sua direção e pegando alguma coisa. Ainda dominada
por aquela fúria, não esperou nada. Correu em direção dele e fincou a espada no
coração do Mestre.
Foi
essa a primeira vez que ela matou. Quando acalmou-se, sentia medo, mas ao mesmo
tempo sentia um prazer inigualável. Já pensava como uma assassina.
Ela
arrastou os dois corpos e os jogou dentro de um poço artesiano desativado. Por
cima, pôs alguns sacos velhos, jogou um pouco de gasolina que encontrara na
casa e pôs fogo. Tampou o poço com uma pesada tampa de concreto que encontrara.
Ao
perceber que estava sozinha, juntou todas as armas e trancou o depósito. Entrou
na casa e revirou todo o material do Mestre.
Escondido
no quarto, embaixo da cama, estava um baú com livros e vídeos falando sobre a
Sociedade Secreta dos Assassinos. Havia informações sobre cada membro e cada
família, além de vídeos sobre treinamento e registro de todas as operações
realizadas nos últimos vinte anos.
Durante
semanas, Sara estudou aquele material. Com ele aprendeu ainda mais sobre a arte
de matar. Mas sua maior surpresa foi encontrar no meio
de tudo um dossiê sobre Joseph.
Desde
esse dia, ela dedicara semanas aprendendo sobre o maior de todos os assassinos,
sua forma de agir, detalhes de suas missões e técnicas de ataque.
Foi
quando iniciou o seu plano. Um plano sombrio, regado de ódio.
As
lembranças a atormentavam naquela noite. Tentava dormir, mas não conseguia.
Pela janela, viu o sol nascer para mais um dia. Levantou-se, pegou suas coisas,
trancou a casa e partiu para a cidade. Sentia-se cansada.
Próximo Capítulo
Uma explosão na praça central vai colocar o Comandante
Barros e Sara frente a frente pela primeira vez. Enquanto isso, Joseph
investiga detalhes sobre as operações da Mr Bonnes.
Em breve: Capítulo 6 - Mencerminkan kecerahan
keadilan kami - Reflitam o brilho de nossa justiça
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