terça-feira, 15 de outubro de 2013

Perseguição - Capítulo 1



CAPÍTULO 1
 Ditandai bagi kehidupan - MARCADOS PELA VIDA

                Joseph levava uma vida relativamente tranquila desde que chegara na capital três anos atrás. Com o dinheiro que recebia mensalmente da Sociedade Secreta dos Assassinos, alugara um apartamento e poderia manter-se sem precisar trabalhar nenhum dia sequer. Mas conseguira um emprego em uma loja, cuidando de assuntos de escritório. Assim, poderia manter a aparência de um homem normal, sem chamar a atenção para seus atos.
                Como um Assassino profissional, Joseph recebera dos seus contratantes as mais altas premiações por trabalhos realizados. Era requisitado para os mais diversos serviços sujos, sendo sempre o contratante um agente do governo ou do exército. Mas os três últimos anos foram calmos, nenhuma missão, nenhuma urgência. Apenas a paz e tranquilidade de uma vida ordinária e normal. Joseph estava até acostumado com aquela nova vida e tinha a doce ilusão de que ela duraria para sempre. No fundo de sua alma, desejava que ela durasse para sempre.
                Naquela manhã ensolarada, acordou no horário habitual e seguiu para o escritório. Era difícil não ser notado, devido aos seus quase 2 metros de altura, corpo definido, rosto fino e olhos profundos. Além disso, guardava uma cicatriz na face esquerda, que insistia em dizer aos que perguntavam que fora consequência de um acidente de quando era uma criança.
                Ao entrar no prédio comercial, foi cumprimentado pela filha do porteiro:
                -Bom dia, Joseph.
                Mantinha seu nome original. Não precisava esconder o nome, apenas seus atos. Além disso, seu nome era bem comum, e não chamaria a atenção. Respondeu carinhosamente:
                -Bom dia, Dulce.
                Sorriu para ela e seguiu para o elevador. Se fosse apenas um homem normal trabalhando, chamaria a moça para sair, mas sabia que não seria possível relacionar-se com alguém até que a sociedade o aposentasse.
                Joseph subiu pelo elevador, entrou no escritório e sentou na cadeira que ficava perto da janela, em frente a uma mesa cheia de papel. Ele escolhera pessoalmente aquele lugar, pois do décimo andar, poderia olhar a cidade e ter um utópico sonho de um dia viver sem preocupações.
                Pediu seu habitual café com torradas. Separou diversos papéis e pretendia não sair para almoço, o que lhe daria tempo para adiantar tudo que estava atrasado.
                Era o que pretendia, até que seu smartphone tocou. Joseph olhou para aquele número e respirou fundo, entristecido. Um pouco relutante, atendeu a ligação:
                -Alô.
                Uma voz masculina, tão conhecida de Joseph, estava do outro lado:
                -Olá, Joseph. Preciso falar com você pessoalmente, com urgência. Surgiu um serviço que só você pode realizar.
                -Hum... Por que eu?
                -Joseph, ao analisar o caso você entenderá. O chefe exigiu que fosse você. Pode me encontrar agora?
                Joseph olhou o relógio, que marcava 11:57h:
                -Saio em três minutos para o almoço. Me encontre no Restaurante do Paulo em meia hora.
                -Ok,  Joseph. Deixe tudo preparado, preciso de início imediato.
                Desde que Joseph ingressara na Sociedade, era a primeira vez que era requisitado com tanta urgência. Soubesse ele antes o motivo e teria ido ao encontro daquele que o chamara com muito mais rapidez.
                Joseph arrumou sua mala e desceu. Passou pelo departamento pessoal e deixou um envelope:
                -Por favor, analisem esse meu pedido.
                Depois, desceu e passou pela jovem que encontrara na entrada. Chamou-a em um local mais isolado do prédio:
                -Dulce, eu vou ficar fora por uns tempos. Queria te dizer que você é encantadora e que nunca te chamei para sair porque sabia que esse dia chegaria.
                Ele puxou a jovem e beijou-a, apaixonadamente. Sentia-se não só despedindo-se dela, mas da empresa e de todos que conhecera ali. Virou-se para partir e fora impedido pela moça:
                -Por favor, Joseph, prometa que vai voltar.
                Era uma tarefa difícil para um assassino, pois nem mesmo imaginava os riscos que enfrentaria. Mesmo assim, preferiu fazer uma tola promessa que não se esforçaria nem um pouco para cumprir:
                -Eu prometo, e então sairemos juntos e começaremos um relacionamento intenso.
                Palavras tolas ditas ao vento, por alguém que estava sempre pronto a seguir em frente sem olhar para trás.
                O elevador parecia demorar a chegar ao andar térreo. Era como se ele quisesse impedir a saída de Joseph, como se todo o universo conspirasse para que ele permanecesse ali. E esse era o desejo de Joseph também. Cansara de ser um assassino, de ser o homem que "limpa a sujeira da humanidade", como fora qualificado por um os generais que constantemente o convocava.
                O caminho vertical chegou ao fim, enquanto Joseph ainda estava preso aos seus devaneios. Era hora de enfrentar a realidade, de ser aquilo que era de melhor: um assassino. Saiu pela portaria sem olhar para trás, com a única certeza de que nunca mais entraria naquele prédio. E pela primeira vez queria estar errado.
                Joseph caminhou pelas ruas daquela moderna metrópole. Observava o cenário urbano, cercado de prédios gigantescos, com ruas e avenidas cheias de carros que insistiam em tentar ganhar velocidade. Um guarda tentava fazer com que os sinais de trânsito fossem respeitados, enquanto pedestres reclamavam do tempo que esperavam para poder alcançar o outro lado da rua.  Depois de caminhar por dez longos minutos, Joseph chegou à entrada do Restaurante do Paulo.
                O restaurante era um estabelecimento construído na beira de uma praia, com uma grande varanda de frente para o mar. Era um lugar bem disputado e normalmente estava cheio. Mas Joseph tinha sempre uma mesa reservada. Sempre para dois, mesmo que na maioria das vezes ele almoçava sozinho.
                Joseph entrou, cumprimentou o garçom como de costume e sentou numa cadeira bem próximo do fim da varanda. Pediu uma taça de vinho e degustou-a olhando para o horizonte. Passados cinco minutos, entrou um homem vestindo terno preto, blusa azul e gravata preta, e sentou na cadeira vaga na mesa de Joseph. Ele continuou olhando para o horizonte por mais alguns segundos antes de iniciar um diálogo:
                -Engraçado como que um almoço pode mudar tudo o que temos pra fazer na vida.
                O homem pareceu não importar-se com a fala dele. Pegou uma pasta com vários papéis e colocou sobre a mesa:
                -Veja isso, Joseph. Olhe bem para as cinco fotos desses homens mortos.
                Joseph pegou as fotos. Todos eles foram assassinados com golpes de espada que acertaram os pulmões, das costas para a parte da frente do corpo. Pelo jeito, não tiveram nenhuma chance de escapar. Alguns corpos apresentavam outros tipos de marca, mas somente as marcas de espada chamaram a atenção de Joseph, que permaneceu calado. O homem continuou:
                -E então, o que você acha?
                -Acho que tenho um fan.
                Desde que entrara para a Sociedade, a marca que Joseph deixava nos corpos para indicar que executara o serviço eram dois furos como aqueles.
                -Joseph, a Sociedade de início achou que poderia ser você fazendo algum serviço extra, mas pela distância seria algo impossível.
                -Onde aconteceram os assassinatos?
                O homem respirou fundo:
                -Em Sordes.
                Ao citar o nome da cidade, Joseph espantou-se. Um filme passou em sua mente, relembrando a sangrenta noite que presenciara dez anos atrás. O homem prosseguiu:
                -Quando o quinto assassinato aconteceu, um general nos convocou. Ele disse que precisa desvendar quem tem feito isso e quer o sujeito vivo ou morto, de preferência morto. Ao ver as marcas nos mortos, o chefe achou que seria de seu interesse ir atrás dessa pessoa.
                Joseph ficou ainda mais sério:
                -Interesse? Não, amigo,  é mais do que meu interesse, mas a minha obrigação, de resolver um assunto pendente há dez anos. Me responda, como encontraram os corpos?
                -Todos com as marcas da espada para cima.
                Joseph respirou fundo, coçou os olhos e olhou seriamente para o homem:
                -Alguém queria minha atenção. E conseguiu.
                O homem pegou um passaporte e entregou a Joseph:
                -Aqui está a autorização que você precisa. Às 18h pegue um helicóptero militar que estará no porto. O piloto será o Rocha. Mostre seu passaporte na entrada e eles te conduzirão para o helicóptero.
                Joseph deixou uma nota na mesa e partiu. Dali, seguiu pelo seu apartamento. Pegou uma chave, abriu uma porta disfarçada na sala. Era uma espécie de armário. Dentro, reluziam duas espadas, além de um arsenal completo. Joseph armou-se das espadas, colocou algumas armas de fogo escondidas pela roupa, ajoelhou-se diante de uma foto e recitou palavras do juramento maior dos Assassinos:
                -"Ditandai bagi kehidupan, Hidup dengan tangan kotor untuk memanipulasi, Marilah kita menjadi hakim dan algojo, Dari apa yang telah disembunyikan oleh pasir waktu, Tanda dari masa lalu, Mencerminkan kecerahan keadilan kami, Makan nenek moyang kita, Menjadi kekuatan yang mendorong kita, Wajah depan kematian, Menerima nasib kami karena kami semua bersalah".
                O juramento, um chamado para guerra e ao mesmo tempo uma invocação daquilo que se tornaram, era recitado sempre antes de cada batalha ou diante do túmulo de algum companheiro. Escrito em Indonésio, fora formulado pelo fundador da Sociedade. As lendas diziam que deveria ter pelo menos 1500 anos.
                Joseph trancou o apartamento e seguiu para o porto. Lá, alguns homens do exército estavam em volta do helicóptero. Ele mostrou o passaporte, os oficiais bateram continência. Ao entrar no helicóptero, o piloto Rocha o aguardava. Era um homem moreno, forte, aparentando ter  mais de 50 anos. Rocha era sempre o piloto designado para acompanhar os assassinos quando os mesmo eram convocados. Não havia um assassino que não conhecesse o Rocha, assim como ele sabia o nome de cada um desses homens que atuavam às margens da sociedade. Joseph cumprimentou a lendária figura, tomou o seu lugar e fechou os olhos. Já era noite, e sabia que chegaria em Sordes já amanhecendo. Aproveitou cada momento para divagar no que estava ocorrendo naquela cidade.
                Se ele soubesse que desde o início estava tão certo, teria chegado em Sordes muito mais preparado.

                Em Sordes, os cinco assassinatos mudaram a rotina dos moradores. Todos os assassinatos ocorreram em noites chuvosas. Assim, todos os dias, quando a noite chegava, os moradores começaram um rotina silenciosa de entrar em suas residências e trancar-se até o novo dia raiar. Para uma cidade pequena, aquela rotina afetara quase 90% da população.
                Todos temiam aquilo que estava acontecendo. Todos, exceto Sara.
                Sara trabalhava na Mr Bonnes, como Gerente de Marketing Pessoal. Começara como faxineira e utilizara todo o seu charme para seduzir cada um dos responsáveis até alcançar um cargo mais alto. Entrara com o nome que recebera quando fora adotada, Sara Miller. Assim, nunca desconfiariam que ela era Sara Bonnes, a herdeira de todo aquele império, dada como desaparecida na noite em que seus pais foram atacados e mortos.
                Sara gostava do silêncio da noite. Caminhou até a praça central e relembrou cada um dos cinco que ela usara como isca para seu verdadeiro propósito.
                O primeiro homem que morreu trabalhava com Sara. Todos os dias a assediava e insistia em sair com ela. Já irritada, aproximando-se do dia em que iniciaria seu plano, aceitou sair com o homem. Jantaram, caminharam pela cidade e, no final da noite, levou-o para a Floresta  das Lamentações. A chuva caía ainda bem fraca. Ali, pediu que ele aguardasse um momento e que voltaria com uma surpresa. O homem ficou admirando a paisagem, quando Sara, friamente, matou-o com duas espadas que mantinha guardada. O corpo fora encontrado três dias depois.
                O segundo fora criado na mesma casa que ela abrigara-se quando criança. Resolvera que vigiaria Sara, e estava causando diversos constrangimentos a ela. Livrara-se dele na segunda noite.
                Depois foi o jovem que tentou sequestrá-la. Justamente numa noite chuvosa. Ela pegou uma faca que tinha guardada e fincou-a no pescoço do homem. Depois, marcou-o com as espadas para que conseguisse chegar ao seu objetivo.
                Os dois últimos foram mortos na mesma noite, apesar de que só conseguiram encontrar o segundo corpo dias depois. Ela e o homem que dera a promoção dentro da empresa saíram, jantaram e ele tentou agarrá-la. Ela disse que não ali, e levou-o para a Floresta. Naquele lugar tão manchado de sangue, matara o coroa. Um policial seguia os dois e assistiu tudo. Sara, ao perceber a presença do homem, puxou uma arma de fogo e atirou, acertando a cabeça dele. Escondeu o corpo por alguns dias e deixou-o em frente à cabine policial.
                Passaram-se cinco dias. Ela esperava que tivesse chamado a atenção necessária.
                Perdida em seus pensamentos, adormeceu na praça. Acordou com o barulho de um carro chegando. Abriu os olhos e viu passar um carro preto com a janela meio aberta. Nela, um homem com uma cicatriz no rosto, usando óculos escuro. Ela olhou para o carro e para o homem e deixou escapar um sorriso.
                "Missão cumprida"- pensou. Foi caminhando para casa.

                Dentro do carro seguia Joseph e Rocha. Após voarem por três horas, pegaram um carro e chegaram em silêncio na cidade.
                Joseph olhou para o motorista:
                -Rocha, esse trabalho será finalizado o mais rápido do que esperemos.
                -O que quer dizer, Joseph?
                -A pessoa que vim pegar. Já encontrei. E ela vai vir atrás de mim.
                -E isso é bom?
                -Sim. Me evitará de precisar procurá-la.
                Sorriu para o sol que iluminava a cidade e disse para si mesmo:
                -A caçada começou. E há muito tempo não me sinto tão excitado com isso.
                Seguiram para a central da polícia. Ali o comandante aguardava Joseph ansiosamente.


Próximo Capítulo
Joseph juntará forças com a polícia local para tentar pegar o assassino. Enquanto isso, Sara continua sua matança, instigando Joseph cada vez mais em saber quais os motivos que levaram-na a isso.


Em 15 dias: Capítulo 2 - Hidup dengan tangan kotor untuk memanipulasi - Vida que manipulamos com mãos impuras

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